Reeducandas iniciam preparação para concurso nacional

Debater a realidade das pessoas em situação de rua, considerando seus direitos e a garantia de sua dignidade. Foi com este objetivo que as reeducandas do Presídio Feminino Santa Luzia, em Maceió, iniciaram, nessa terça-feira (20), a preparação para o 6º Concurso de Redação da Defensoria Pública da União (DPU), iniciativa que conta com o apoio de parceiros como o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Com o tema “Entre o céu e o asfalto: onde está a dignidade da população em situação de rua?”, o concurso é destinado a alunos dos ensinos fundamental e médio, inclusive na modalidade Jovens e Adultos (EJA), além de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação e dos adultos em situação de privação de liberdade, desde que devidamente matriculados em escola da rede pública ou de ensino técnico.

As inscrições vão até 06 de novembro, enquanto os resultados devem sair já no mês seguinte. Quanto às premiações, medalhas e certificados, a DPU ainda avalia a possibilidade de realizar, em 2021, cerimônias de entrega aos vencedores, conforme orientação das autoridades sanitárias de cada estado, em razão da pandemia do novo coronavírus.

Ao todo, 20 reeducandas receberam apostilhas contendo dicas sobre como desenvolver o tema deste ano. Elas têm até a próxima sexta-feira (23) para assimilar todo o conteúdo. Cada texto será avaliado por professores da Escola Estadual Educador Paulo Jorge dos Santos que atuam no complexo penitenciário. A redação deve ter entre 20 e 30 linhas, com a comissão julgadora analisando aspectos como ortografia, criatividade e originalidade.

Assessora técnica de ensino da Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris), a policial penal Jaciara Tenório conta que as turmas foram divididas em dois grupos, a fim de se evitar aglomeração, não havendo aula presencial.

“Nós apenas reunimos os grupos para entregar o material que nos foi disponibilizado e repassar alguns informes. Elas têm três dias para nos entregar a redação, que retorna para a reeducanda somente após as observações feitas pela banca examinadora da Escola Paulo Jorge. Esta é uma oportunidade, inclusive, de as reeducandas conseguirem a remição de parte da pena”, explica a assessora, acrescentando que, entre os homens, 55 reeducandos já foram selecionados somente no Núcleo Ressocializador da Capital.

E ela reforça também contar com a participação maciça dos reeducandos do Presídio do Agreste, em Girau do Ponciano. “Vamos seguir com todos os cuidados para que a retomada gradativa das atividades educacionais no sistema prisional se dê, ainda que remotamente, com a máxima segurança possível”, pontua a policial penal, que, durante a entrega dos kits, esteve acompanhada da coordenadora pedagógica da Seris, Márcia Cordeiro.

Já entre as custodiadas o sentimento é de expectativa, como atesta Ariany dos Santos, que cumpre pena há dois anos e um mês no Presídio Santa Luzia. Ela conta que se apaixonou pelos livros ao conhecer o projeto LÊberdade, uma iniciativa da Seris que proporciona a remição da pena por meio da leitura. Para ela, ter a oportunidade de externar seu conhecimento por meio de uma redação “é extremamente gratificante”. “Tenho certeza de que os livros que venho lendo vão me ajudar na construção dessa redação”, afirma a reeducanda.

Na última edição do concurso da DPU, a Seris foi destaque com três reeducandos, já que Johnatan Braian, Elvis Rocha dos Santos e Anacleto Ribeiro Junio, todos do Presídio do Agreste, foram 1º, 2º e 3º colocados em 2019.




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