Ordem para invasão da Cidade Alta, partiu de presídios federais, diz chefia de polícia

Oito ônibus e dois caminhões foram incendiados em represália a ação da PM, que teve mais de 40 presos. “Polícia já identificou alguns mandantes do crime”, disse o secretário.

Autoridades de segurança do Rio de Janeiro deram detalhes sobre as ações que desencadearam a queima de oito ônibus e dois caminhões na Cidade Alta e levaram pânico aos moradores e motoristas dos bairros próximos à Avenida Brasil e à rodovia Washington Luiz, nesta terça-feira (2). Segundo o secretário Roberto Sá, a polícia já identificou alguns mandantes da invasão frustrada pela PM, que terminou com mais de 45 presos e 32 fuzis apreendidos. Os presos que comandaram a invasão foram estão em presídios federais, fora do estado, segundo Sá.

A coletiva começou por volta das 16h30 no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Centro do Rio, e reuniu o secretário de Estado de Segurança, Roberto Sá, o Comandante Geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel Wolney Dias, e o chefe de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Augusto Leba, atesta o G1.

“A polícia já identificou alguns mandantes do crime, inclusive de quem pode ter mandado queimar os ônibus”, disse o secretário. Segundo Roberto Sá, 45 pessoas foram presas e 38 armas de fogo apreendidas. Duas pessoas, que segundo a polícia eram criminosos, foram mortos pelo Bope.

Já Leba ressaltou que a ordem para a invasão da Cidade Alta partiu de dentro da cadeia, e foi cumprida por pessoas recém-saídas da prisão. “Os presos são do Borel, Formiga, Kelson e muitos da Vila Cruzeiro”, acrescentou.

Sá também voltou a afirmar que os incêndios a ônibus foram orquestrados para ajudar na fuga de traficantes.

O secretário de Segurança do Rio também disse que não se lembra, em sua carreira, de uma operação com tantas armas de fogo do porte que ocorreu hoje – foram apreendidos 32 fuzis durante a manhã.

Os presos nesta terça feira serão submetidos a audiência de custodia no Tribunal de Justiça do Rio por videoconferência nesta quarta-feira (3). O secretário disse que as punições para queimar ônibus e portar fuzis são ridículas, e voltou a pedir punições judiciais mais severas para os crimes.

“A polícia precisa trabalhar em uma sociedade que viva sob a egide da proteção da punição. Falo de uma polícia que não fez a greve, que não recebe o RAS Olimpico há um ano. É preciso uma coalizão, uma estrutura em que os estados possam prender as pessoas de acordo com a gravidade do fato que cometem”, disse Sá.

Ainda durante a coletiva, o secretário também avaliou que não houve falha na inteligência da polícia. “Já evitamos invasões que ninguém tomou conhecimento. Mas sem informações suficientes, só é possível ficar pronto para que algo possa ocorrer. Houve uma ação do crime organizado em que eles se falaram e organizaram a ação. Agora, não podemos diminuir uma ação exitosa da polícia que evitou um banho de sangue e prendeu um monte de pessoas.”

Ele também questiona se outra polícia no mundo consegueria impedir o que passa na cabeça das pessoas. “Se a pessoa pensa, e começa a executar, a polícia tem que ser rápida na resposta. Mas evitar esses incêndios…”.

O secretário de Segurança do Rio diz que hoje a sociedade do Rio é muito corrupta, violenta, e o foco do problema está sendo desviado para o ônibus incendiado, ignorando toda a ação da polícia. “Autoridades dos EUA, do Reino Unido, da França, que têm muito mais recursos e pagam em dia, não conseguem evitar atentados. As polícias precisam de ajuda para ajudar a sociedade. Eles não vão conseguir adivinhar o que cada criminoso vai fazer para se colocar naquele lugar.”

Sá ressaltou que a polícia vai reforçar nos próximos dias o policiamento na região invadida, entretanto. Questionado sobre a necessidade de ajuda federal, Sá falou que “qualquer ajuda é bem vinda” no atual “momento de escassez” do policiamento no Rio, mas destacou que ela não resolverá a questão da segurança pública no estado. “É preciso um programa nacional e revisão de política criminal e que as leis sejam mais duras, antes de pensar em ajuda federal na área de segurança pública”.

02/05/2017