Música e futebol, um duelo de craques (PARTE 3)

Música, futebol, Milton e Tostão

Tostão, nos tempos áureos de Cruzeiro

Evoé, queridos leitores! Estamos de volta após breve pausa…

E voltamos em alto nível, juntando duas paixões dos brasileiros, agora na terceira postagem da série. Uma das músicas mais célebres desta dobradinha é também uma criação literária para seara esportiva.

Milton Nascimento, ou melhor, o “Bituca” para os íntimos, é autor de “Aqui é o país do futebol” em parceria com Fernando Brant. Apesar dos versos simples, ganhou o mundo, especialmente quando interpretada por Elis Regina ou Wilson Simonal. A composição foi encomendada pelos produtores do filme “Tostão: a Fera de Ouro” que teve como roteirista o escritor Roberto Drummond.

Veja algumas cenas: 

Milton Nascimento é carioca de nascimento e mineiro de coração. Coração cruzeirense, diga-se de passagem. E há explicação para tal paixão. Milton deixou Três Pontas, em Minas Gerais, para estudar em Belo Horizonte, no início da década de 1960 e foi assim que essa paixão celeste começou: “Esse time faz parte da minha vida desde o dia que me mudei para Belo Horizonte. Nos primórdios da minha carreira, o primeiro lugar que eu toquei foi no clube do Cruzeiro, desde então criei esse envolvimento com o clube”.

A música, feita para trilha do filme sobre Tostão acabou ganhando contornos mundiais, um verdadeiro “hino” representativo da força do futebol brasileiro nos quatro cantos do planeta.

A letra, simples ao extremo, diz tudo. Interpretada por Elis ou Wilson Simoninha (filho de Wilson Simonal, esse sim fez enorme sucesso na época interpretando a música) tanto faz…

Segundo o autor, todos os problemas da vida são esquecidos durante uma partida de futebol. Sua intenção é provocar uma reflexão sobre essa alienação ocorrida no momento do jogo, para isso, faz uso da ironia para expressar essa condição.

Confiram aqui a música de Milton interpretada por ninguém menos que Elis Regina:

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol
Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo desse país
ao longo das avenidas
nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol
nesses noventa minutos
de emoção e alegria
esqueço a casa e o trabalho
a vida fica lá fora
dinheiro fica lá fora
a cama fica lá fora
família fica lá fora
a vida fica lá fora
e tudo fica lá fora

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol
Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo desse país
ao longo das avenidas
nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol
nesses noventa minutos
de emoção e de alegria
esqueço a casa e o trabalho
a vida fica lá fora
dinheiro fica lá fora
a cama fica lá fora
a família fica lá fora
a vida fica lá fora
o salário fica lá fora
e tudo fica lá fora

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol
Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo desse país
ao longo das avenidas
nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol
nesses noventa minutos
de emoção e alegria
esqueço a casa e o trabalho
a vida fica lá fora
dinheiro fica lá fora
a cama fica lá fora
a mesa fica lá fora
salário fica lá fora
a fome fica lá fora
a comida fica lá fora
a vida fica lá fora
e tudo fica lá fora

Até o próximo post!!!

Wellington Santos

Wellington Santos

Wellington Santos milita no jornalismo desde 1994, quando iniciou a carreira como revisor do extinto O JORNAL. Daí formou-se na área pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e teve passagens como repórter e editor em jornais como Gazeta de Alagoas (por duas vezes), A Notícia e Primeira Edição. Atualmente atua como repórter no Jornal Tribuna Independente e exerce ainda a função de assessor de Comunicação desde 2003 no Governo do Estado. Como repórter esportivo, foi correspondente e colaborou para o Portal nacional Lance! e rádios do eixo Sul/Sudeste, além de colaborar para o Canal Esporte Interativo. Como reconhecimento ao trabalho desenvolvido, foi premiado duas vezes como repórter esportivo no Prêmio Braskem de Jornalismo em 2013/2014, e em 2016 com a melhor matéria no Jornalismo Impresso na editoria Saúde. Em 2012, foi à final do Prêmio Nacional Abdias Nascimento, realizado no Rio de Janeiro, com reportagem sobre os 100 anos do Quebra de Xangô em Alagoas.

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