Esses homens maravilhosos e suas frases fantásticas


Nenem Prancha, o filósofo do futebol, a quem são atribuídas várias frases engraçadas que se tornaram lendas no futebol

Quem, mesmo que não goste lá muito de futebol, já não ouviu pelo menos uma frase engraçada e folclórica sobre o esporte paixão número um do mundo? No Brasil, então!

Lembro-me bem de que, ainda criança, a frase que me marcou até hoje é esta: “Se macumba desse certo, Campeonato Baiano terminaria empatado”, atribuída a um certo “filósofo do futebol”, de quem dou mais detalhes abaixo.

Ou esta aqui: “É um prazer muito grande jogar aqui na terra onde Jesus nasceu”, palavras ditas pelo atacante Valdomiro, nos anos 1970, assim que entrou em campo cercado pela imprensa, ao fazer um jogo pelo Internacional, de Porto Alegre, na cidade de Belém, capital do ESTADO DO PARÁ.

Valdomiro se eternizou no jogo na “terra onde Jesus nasceu”…

Ou que tal esta outra, atribuída a Nunes, atacante do Flamengo nos anos 1980, ao explicar um drible que resultou no gol de campeão do Mengo, na final do Campeonato Brasileiro contra o Atlético-MG, no Maracanã. Disse Nunes, ainda ofegante, à saída de campo, na explicação de seu gol aos jornalistas: “Fiz que fui e acabei fondo…”.

Nunes, um dos autores de uma frase engraçada dita em entrevista após fazer um gol

Mas nesta postagem de hoje, vamos focar nas famosas frases que se tornaram folclóricas no mundo do futebol brasileiro ditas por um “filósofo”. Mais de quatro décadas depois de sua morte, um tal de Neném Prancha segue vivo. Volta e meia, uma de suas frases sensacionais é repetida Brasil afora. Por ironia, alguns pesquisadores duvidam que qualquer delas tenha de fato sido dita pelo roupeiro, massagista, olheiro e treinador do Botafogo.

Antônio Franco de Oliveira nasceu em 1906, em Resende-RJ, e tentou a sorte como jogador no modesto Carioca, do Rio de Janeiro. Sem sucesso, abriu uma escolinha de futebol de areia. O apelido Prancha veio nessa época, graças aos sapatos tamanho 44 e às mãos que mediam 23 cm.

Como olheiro do Botafogo, seu time de coração, Neném descobriu o atacante Heleno de Freitas. Além disso, revelou Júnior, lateral da seleção nas Copas do Mundo de 1982 e 1986. Mas foram outros de seus ex-alunos que ajudaram a imortalizá-lo como “Filósofo do Futebol”.

Sandro Moreyra, Sérgio Porto e Lúcio Rangel, ao se tornarem jornalistas, teriam feito o possível para garantir mídia ao professor. Para isso, atribuíam ao treinador da garotada frases que depois acabavam popularizadas nas colunas de João Saldanha e Armando Nogueira.

Jornalista Sandro Moreyra, amigo do filósofo do futebol Nenem Prancha

Sua frase mais conhecida (“Penalti é tão importante que quem devia bater é o presidente do clube”), por exemplo, não passa de folclore. Quem revelou foi Ronald Alzuguir, treinado por Neném Prancha na base do Botafogo, que um dia perguntou ao mestre se a deixa era sua.

“O que falei é que o pênalti é tão fácil que até o presidente pode bater”, respondeu. Como diria Nelson Rodrigues, craque dos personagens romantizados, “se os fatos provam o contrário, pior para os fatos”. Não à toa, tanto tempo depois de sua morte, em 1976, aos 69 anos, o mito continua vivíssimo.

Aqui algumas frases do Filósofo do Futebol:

“Penalti é tão importante que quem devia bater é o presidente do clube”.

“Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminava sempre empatado”.

“Se concentração ganhasse jogo, o time do presidío não perdia uma partida”.

“Quem pede tem preferência, quem se desloca recebe”.

“Bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama”.

“Jogador tem que ir na bola com a mesma disposição de quem vai num prato de comida”.

“O goleiro deve andar sempre com a bola. Se tiver mulher, dorme abraçado com as duas”.

“Jogue a bola pra cima, pois enquanto ela estiver no alto não há perigo de gol”.

“Jogador bom é que nem sorveteria: tem várias qualidades”.

“Goleiro é uma posição tão amaldiçoada que onde ele pisa nem grama nasce”.

“Futebol é simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende”.

“Jogador brasileiro não vai ter problema no México, não. Tudo já morou em favela e não pode se queixar de altitude.”

“O importante é o principal, o resto é secundário.”

“Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.”

“Futebol moderno é que nem pelada. Todo mundo corre e ninguém sabe pra onde.”

“Tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador.”

WELLINGTON SANTOS

Até a próxima!!!!

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Wellington Santos
Wellington Santos milita no jornalismo desde 1994, quando iniciou a carreira como revisor do extinto O JORNAL. Daí formou-se na área pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e teve passagens como repórter e editor em jornais como Gazeta de Alagoas (por duas vezes), A Notícia e Primeira Edição. Atualmente atua como repórter no Jornal Tribuna Independente e exerce ainda a função de assessor de Comunicação desde 2003 no Governo do Estado. Como repórter esportivo, foi correspondente e colaborou para o Portal nacional Lance! e rádios do eixo Sul/Sudeste, além de colaborar para o Canal Esporte Interativo. Como reconhecimento ao trabalho desenvolvido, foi premiado duas vezes como repórter esportivo no Prêmio Braskem de Jornalismo em 2013/2014, e em 2016 com a melhor matéria no Jornalismo Impresso na editoria Saúde. Em 2012, foi à final do Prêmio Nacional Abdias Nascimento, realizado no Rio de Janeiro, com reportagem sobre os 100 anos do Quebra de Xangô em Alagoas.