Cineastas e profissionais do audiovisual alertam para o perigo de se perder o patrimônio da Cinemateca

Najara Araújo/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Cinemateca Brasileira. Representante da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual - ABPA, Debora Lúcia Vieira Butruce
Débora Butruce: “Manter a Cinemateca fechada está colocando em risco todo o patrimônio histórico”

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados realizou reunião virtual nesta segunda-feira (12) para discutir a situação da Cinemateca brasileira, fechada desde agosto do ano passado. A Cinemateca é a instituição responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira.

A presidente da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual, Débora Butruce, afirmou que manter a Cinemateca fechada está colocando em risco todo o patrimônio histórico que deveria estar sendo conservado. Ela alertou que não é uma tragédia anunciada é uma tragédia em andamento devido à falta de manutenção do acervo.

“A gente sabe que existem saberes específicos que se perdem a cada mudança tecnológica e esse é um processo que não acaba nunca, como o princípio básico da preservação: nada está preservado, tudo está em processo de preservação”, observou.

Parceria
O secretário nacional do audiovisual, Bruno Cortês, lembrou que desde que assumiu o cargo em agosto do ano passado realiza reuniões semanais com representantes do setor para chegar a uma solução sobre a Cinemateca. Para ele, a melhor gestão seria uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada.

“Não adianta, não basta entrar uma OS via chamamento público e ela gerir por tempo indeterminado como se nós estivéssemos apenas observando o que está acontecendo lá dentro. Não é o caso, a gente não vai observar nada, a gente vai atuar junto o tempo todo”, disse.

Najara Araújo/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Cinemateca Brasileira. Diretor do Departamento de Políticas Audiovisuais - Secretaria Especial de Cultura, Hélio Ferraz de Oliveira
Hélio Ferraz: Edital para uma nova gestão já foi aprovado pelo Ministério da Economia

O diretor do departamento de políticas audiovisuais, Helio Ferraz, destacou que as contas da Cinemateca estão em dia desde novembro do ano passado e o edital para uma nova gestão já foi aprovado pelo Ministério da Economia, mas agora está sob análise da secretaria do audiovisual e depois segue para o Ministério do Turismo.

“Eu acredito que esse tramitar seja de dez dias até a conclusão. Após a conclusão o prazo para publicização das atividades, inclusive por imposição legal, é de seis meses. Nós acreditamos que esse edital esteja disponibilizado num prazo menor, num prazo de 30 a 45 dias já devamos fazer a publicação desse edital”, afirmou.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), autora do requerimento para a realização da reunião afirmou que desde o ano passado a Comissão de Cultura vem acompanhando as ações do governo para a volta do funcionamento da Cinemateca.

“Já não é a primeira audiência que nós fazemos sobre o tema. Eu pedi para que nós retomemos depois de uma série de possíveis acordos de condução serem feitos, da promessa em dezembro do chamado edital que sairia, houve uma promessa do secretário Mario Frias desse edital de contratação de uma nova Organização Social para tomar conta, de recursos de contratação de profissionais e uma solução perene para a Cinemateca e nós já estamos em abril”, observou a deputada.

Cem anos de história
O cineasta Cacá Diegues lembrou que a Cinemateca Nacional é uma das melhores do mundo não só pelo acervo nacional, mas pelo acervo da América do Sul. Ele lembrou que a Cinemateca não contém apenas filmes, mas a história do país nos últimos 100 anos.

A Cinemateca tem o maior acervo da América do Sul com 250 mil rolos de filmes e mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema como fotos, roteiros, cartazes e livros. O laboratório de restauração da Cinemateca já foi considerado um dos melhores do mundo.

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