Alergias estão mais ligadas à saúde mental do que você imagina


Pode até parecer improvável que alergias estejam ligadas à nossa saúde mental. Coceira na pele, tosse seca, placas de vermelhidão na pele e corrimento nasal não parecem estar particularmente envolvidos com os desafios emocionais e cognitivos que podemos enfrentar em nossas vidas.

Porém, quem lida com algum tipo de transtorno de ansiedade, por exemplo, sabe que a necessidade de coçar a pele para descontar a angústia, mesmo que inconscientemente, pode se tornar um ciclo vicioso.

Em termos científicos, alergia é uma condição de hipersensibilidade a uma substância (alérgeno) que pode ser considerada inofensiva para a maioria das pessoas. Trata-se de uma resposta imunológica exagerada, anormal, a um elemento especifico. Isso quer dizer que o organismo, em dado momento, passa a reconhecer uma substância específica como algo agressivo ao corpo e passa a combatê-la como um inimigo.

Essa hipersensibilidade pode ser causada pelo nível de acidez do corpo, insuficiência hepática, infecções e até por algum desequilíbrio hormonal, revela o MSN.

Mas o que talvez a gente não preste tanta atenção é que nossas próprias emoções podem criar essa hipersensibilidade.

Por que as alergias estão tão ligadas ao nosso emocional?

Para Sergio Bastos Jr, fisioterapeuta com foco em saúde integrativa, as alergias são sempre uma resposta do nosso corpo a alguma coisa. O grande desafio é descobrir o que.

″É interessante refletirmos a respeito de um ponto: a totalidade do organismo. Não funcionamos separadamente: em um momento temos emoções e, em outro, reagimos fisicamente. Isso é integrado e simultâneo”, explicou o especialista ao HuffPost Brasil.

Dessa maneira, podemos pensar que as reações corporais, seja em forma de alergias ou dores, são respostas físico-emocionais aos nossos desafios do dia a dia.

Assim, quando vivemos algo, consciente ou inconscientemente, que percebemos ou registramos como perigoso, o organismo tende a reagir no sentido de proteção e sobrevivência. Daí vem a alergia.

Para Bastos, nestes casos, os remédios que fazem parte do tratamento de alergias são paliativos que melhoram a convivência com os sintomas, mas eles não são capazes de eliminar o agente causador.

Por exemplo, a dermatite é uma das alergias emocionais mais comuns. Também conhecida como “alergia nervosa”, ela aparece em pessoas que já têm alguma predisposição, mas que enfrentam períodos de estresse intensos.

Podem surgir lesões do tipo eczema em todo o corpo, que são placas de vermelhidão e deixam a pele áspera. As regiões mais afetadas costumam ser o  couro cabeludo, o rosto, as dobras do joelho e do cotovelo.

Aprender a controlar o estresse e criar ferramentas para aliviar os momentos de tensão são, então, tão importantes quanto usar algum tipo de pomada para manter uma vida saudável.

Qual é o gatilho mais comum para as alergias emocionais?

O fisioterapeuta explica que o gatilho sempre será a emoção relacionada ao agente alergênico. Na mesma medida, o foco da alergia vai ser o meio pelo qual percebemos esse agente.

“Um exemplo são as alergias respiratórias, que vêm da nossa memória ontológica de ‘farejar’ o perigo. Então, a situação de se sentir desprotegido pode acionar de imediato o nariz”, explica.

Já a pele é nosso maior órgão e é por meio dela que nos relacionarmos com o meio externo.

″É pela pele que temos contato e nos separamos de pessoas que amamos ou que nos agridem, daí uma superestimulação da pele pode ser uma reação a algo desafiador, ao medo da perda, do afastamento.”

Como tratar as alergias emocionais

O primeiro passo é buscar a ajuda de um profissional para entender qual é o seu diagnóstico. Mas algumas dicas básicas podem te ajudar.

No caso da dermatite, evite coçar as lesões no seu corpo, por mais que isso pareça difícil, e abuse dos cremes hidratantes para recompor as regiões. Também procure priorizar os banhos com água fria.

Mas também é importante entender que as alergias são formas de proteção do nosso corpo e, quando alguém passa por um momento extremamente dramático, há uma grande probabilidade de o organismo desencadear essa reação.

Ou seja: sempre que for trabalhoso demais racionalizar determinado evento, o mal-estar vai ser canalizado para o nosso corpo e, principalmente, para a nossa pele, que é o nosso maior órgão.

Por isso, além de um profissional que trate da alergia em si, é importante buscar ajuda por meio de processos terapêuticos para controlar a situação.

“O ideal é uma abordagem multidisciplinar que tenha atenção para questões alimentares, psíquicas e ressignificações biológicas”, explica o profissional.

15/04/2019