Testemunhas relatam à polícia confusão em casa de prostituição onde delegados da PF morreram

Testemunhas relatam à polícia confusão em casa de prostituição onde delegados da PF morreram

A RBS TV teve acesso a depoimentos de testemunhas da troca de tiros que matou dois policiais federais do Rio de Janeiro em uma casa de prostituição de Florianópolis, na madrugada de quarta-feira (31). Uma das garotas de programa afirma que os policiais chegaram de táxi, embriagados, e que houve uma confusão no local. Os depoimentos não afirmam de onde teria partido o primeiro disparo.

A mulher, que trabalha e mora na casa, contou que os dois policiais chegaram por volta das 2h, acompanhados por um taxista já conhecido dela. Ela afirmou que um deles levantava a blusa e deixava aparecer uma pistola na cintura. Segundo o relato dela, os dois estavam embriagados e insistiam em querer mais bebida.

Durante a conversa, os dois teriam convidado ela e uma outra amiga, também garota de programa, para acompanhá-los ao hotel onde estavam hospedados, mas elas recusaram. Ainda conforme o relato, os dois insistiram e ela pediu ao taxista que levasse os delegados embora.

Houve uma discussão. Ainda conforme a testemunha, a amiga, os dois delegados, o táxistao dono de um trailer de cachorro-quente da região e um funcionário dele desceram juntos até a porta. Segundo a mesma testemunha, ela ouviu uma voz dizer: “Pensa com quem estás falando? aqui é polícia federal”.

Depois, outra pessoa gritou: “perdeu, perdeu”, afirmou ela, que em seguida disse ter ouvido uma série de tiros.

O delegado Elias Escobar, de 60 anos, foi atingido por tiros na cabeça e no peito e morreu no local. O delegado Adriano Soares, de 47 anos, chegou a ir para o hospital, mas morreu em seguida.

As duas garotas de programa saíram correndo pelos fundos da casa, deram a volta na quadra e só voltaram para frente do imóvel quando a Polícia Militar chegou. A testemunha afirmou que só então soube que os dois eram policiais federais.

Dono de cachorro-quente recebeu voz de prisão

O dono do trailer de cachorro-quente, de 36 anos, suspeito de ter feito disparos, ficou ferido e foi hospitalizado, mas não corre risco de vida. Ele recebeu voz de prisão e está à disposição da Justiça. O advogado dele, Marcos Paulo, afirma que ele possui registro da arma, que está apreendida, mas não tinha autorização para portá-la. O advogado levantou a hipótese de que Nilton reagiu para se defender.

“Infelizmente, neste momento, houve uma troca de tiros. Houve toda essa situação, a gente tem que esclarecer como foram os fatos”, disse o advogado. A Polícia Civil procura os dois funcionários que estavam com o dono do trailer no momento da confusão.

O G1 entrou em contato com o setor de imprensa da Polícia Federal em Brasília para comentar o caso, mas até a publicação desta notícia não houve retorno. Na quarta, a PF afirmou lamentar a morte dos dois delegados e afirmou que eles estavam em Florianópolis participando de uma capacitação.

O local onde dois delegados da Polícia Federal morreram na madrugada de quarta-feira (31) em Florianópolis funcionava sem alvará, segundo a Polícia Civil. Até o início da tarde desta quinta (31), outros dois suspeitos de envolvimento no caso eram procurados.

“Ali é um local que se verificou ano passado que era uma casa de prostituição e era usado de forma clandestina, inclusive há inquérito”, afirma Verdi Furlanetto, diretor de Polícia Civil. O local pertence a um casal investigado por favorecimento à prostituição.

O dono do cacho-quente, suspeito de atirar nos dois delegados, está preso sob custódia em um hospital de Florianópolis. Ele levou quatro tiros e pode responder por duplo homicídio doloso.

Dois procurados

A Polícia Civil procura por outros dois homens suspeitos de envolvimento na briga que resultou na morte dos delegados. “Um é empregado do dono do cachorro-quente, é entregador de lanche e teve participação determinante. O outro é procurado num menor grau, estava junto e saiu correndo”, detalha Furlanetto.

Segundo ele, o entregador de lanche foi quem levou o dono do cachorro-quente ao hospital quando ficou ferido na troca de tiros com os delegados. Lá, o entregador teria efetuado disparo para cima próximo ao taxista que levou os delegados para a casa de prostituição.

Na confusão, o entregador também teria subtraído a arma de um dos delegados, mas Furlanetto não soube informar se ele também atirou. A arma do delegado subtraída na casa noturna foi encontrada depois no veículo utilizado pelo entregador para levar o chefe ao hospital.

Este taxista foi um dos ouvidos pela polícia, assim como outro que levou o delegado ferido ao hospital, além de duas mulheres e um segurança que trabalham na casa de prostituição.

Segundo o advogado do dono do cachorro-quente, Marcos Paulo, o cliente possui registro da arma, que está apreendida, mas não tinha autorização para portá-la.

Briga banal

Segundo a Polícia Civil, ao saírem do estabelecimento os delegados esbarraram em funcionário do dono do trailerde cachorro-quente. “Neste momento, as testemunhas ouviram: ‘perdeu’ e, em seguida, os policiais falaram: ‘Polícia Federal’. E aí, iniciou-se o tiroteio”, disse o delegado Verdi Furlanetto, na quarta.

Nesta quinta, ele disse que a morte foi resultado de uma banalidade. “Foi uma desavença banal, quando os três estavam saindo no corredor”.

Um funcionário da unidade de saúde contou à reportagem da RBS TV que Soares foi levado de táxi para o hospital, entrou caminhando no local, disse que era policial federal, mas estava muito ferido no tórax e morreu 15 minutos depois.

Vítima havia aberto inquérito do caso Teori

Adriano Antonio Soares era chefe da Polícia Federal em Angra dos Reis (RJ). Em nota, a corporação esclareceu que ele apenas abriu o inquérito sobre o acidente aéreo envolvendo o Ministro Teori Zavaski. As investigações estão sendo conduzidas por uma delegacia especializada em Brasília, sem qualquer ligação com o delegado.

Elias Escobar era chefe da Polícia Federal em NiteróI (RJ). Os dois estavam em Florianópolis para participar de um curso da Polícia. Os corpos já foram liberados do Instituto Médico Legal para o Rio de Janeiro.

01/06/2017

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