ROMBO: Gastos com propagandas e empréstimos milionários quebram Prefeitura de Maceió


Servidores se revoltam e não querem “pagar o pato”. Movimento acusa prefeito de negligência

Enquanto a Prefeitura de Maceió cria “medidas” para economizar R$ 12 milhões ao ano, os gastos com propaganda e publicidade estão estimados em R$ 21 milhões, quase o dobro do que o prefeito Rui Palmeira pretende poupar em dois anos. Em 2016, o Executivo municipal homologou contratos com agências de Recife (PE) mesmo reclamando da crise que ainda atinge o país.

Nesta semana, depois de protesto na Câmara Municipal, por parte de servidores públicos, contra projeto de lei que reduz esses gastos, Palmeira declarou que a folha de pagamento ficou insustável com um gasto anual de R$ 1 bilhão somente com a folha. “Chegamos a um ponto que não tem como converter. Se não houver nenhum acordo no segundo já corremos o risco de atrasar salários e de não conseguir pagar a folha. O próximo prefeito poderá não conseguir pagar os servidores”, disse à impressa.

O prefeito explicou que as modificações atingem os servidores que recebem insalubridade “altíssima, fora do padrão de qualquer cidade”. “Tudo que nós arrecadamos, gastamos com a folha de pagamento. Não entraria no embate se não houvesse a necessidade. Se não tomar as devidas medidas entraremos em colapso financeiro”, completou.

Em contraponto, frente às declarações do gestor na tarde de quinta-feira, 11, o Movimento Unificado dos Servidores Públicos Municipais de Maceió informou aos trabalhadores de Maceió, para não temerem a atos de chantagem e terrorismo. “A Prefeitura de Maceió trabalha dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), portanto não pode atrasar pagamentos de seus funcionários. E, bem como Rui Palmeira disse: ele só tem mais 1 ano e oito meses de mandato, então ele não pode prever o futuro, e dizer com certeza absoluta o que o próximo prefeito irá enfrentar e quais são as medidas que ele irá tomar em relação às contas do município”, informou.

“Pagar bem aos funcionários, deveria ser motivo de orgulho. E não uma desculpa para reduzir salários e direitos. Adiantamos, que os problemas econômicos enfrentados por Rui Palmeira e sua equipe são consequências de uma má gestão, que só visa publicidade. Sair bem na foto é lindo, mas entregar projetos de melhoria para a cidade ficam sempre em segundo plano, tanto que perdem prazos e dinheiro. Pois, como consta em relatório: a Prefeitura de Maceió teve que devolver o montante de R$390 milhões de reais ao Governo Federal, por falta de projetos”, denunciou o movimento.

Vale a pena destacar o empréstimo feito, no ano passado, por Rui Palmeira no valor de U$ 70 milhões, para serem investidos em infraestrutura. Em entrevista, à época, o economista Diogo Vasconcelos, que analisou o financiamento conquistado. Segundo o profissional, arcar com tamanha dívida seria um “tiro no pé”.  “Maceió hoje não possui capacidade de pagamento desses empréstimos. A contratação de empréstimo inviabilizará a realização de políticas públicas das próximas gestões”, alertou. “A Prefeitura de Maceió pode viabilizar recursos para investimentos em infraestrutura urbana sem levar o Município à falência”, avaliou.

Tácio Melo, o operador de Rui Palmeira