Reinfecção por coronavírus não é motivo para pânico, diz especialista

Nesta semana, alguns casos de reinfecção pelo coronavírus foram revelados na imprensa, relatados em Hong-Kong, nos Países Baixos e na Bélgica, sendo que mais outros, inclusive aqui no Brasil, estão sob avaliação. As notícias, naturalmente, acabam trazendo um pouco de preocupação para as pessoas, uma vez que o SARS-CoV-2 é um vírus muito recente e ainda estamos no processo de desenvolvimento de vacina e busca pelo melhor tratamento.

No entanto, é preciso ressaltar que não é motivo para entrar em pânico, principalmente pelas informações divulgadas ainda serem muito simples e também porque nada disso é uma novidade, segundo Zania Stamataki, professora sênior de imunologia viral da Universidade de Birmingham. Portanto, mesmo que os virologistas acreditem que a reinfecção pelo coronavírus seja comum, os imunologistas estão desempenhando um papel crucial para determinar o tempo em que os anticorpos desenvolvidos continuarão ajudando a proteger pacientes recuperados de ficarem doentes novamente.

De acordo com Stamataki, nossos organismos não se tornam imunes a um vírus quando nos recuperamos da infecção, mas sim se tornam ambientes inabitáveis a eles. As células que atraem os vírus, principalmente do trato respiratório, continuam existindo e não são alteradas significativamente para prevenir o corpo de hospedar uma nova infecção meses depois de uma boa resposta imune.

“Se anticorpos e células de memória forem deixadas para trás em uma infecção recente, a nova expansão do vírus tem mais probabilidade de ter uma vida curta e a infecção controlada antes que o hospedeiro sofra demais ou até mesmo perceba”, explica a especialista, citando ser possivelmente o caso do paciente de Hong Kong. O homem não apresentou nenhum sintoma de reinfecção e teve a doença descoberta mais uma vez em teste de rotina de aeroporto após voltar de uma viagem.

Possibilidades

De acordo com Stamataki, existem três principais possibilidades em casos de reinfecção com vírus similares. A primeira envolve uma piora nos sintomas que levam a uma doença mais grave, o que costuma ser encontrado em pacientes infectados com cepas parecidas de vírus, como a dengue, uma velha conhecida do Brasil. No entanto, não há evidências de que esse caso tenha acontecido com o novo coronavírus.

A segunda possibilidade é quando o paciente sofre pela mesma doença duas vezes, apresentando os mesmos sintomas da infecção anterior. Isso pode significar que não há memória imunológica suficiente para a proteção contra uma recontaminação. Segundo a especialista, isso pode acontecer quando a primeira infecção não exigiu anticorpos ou células T para se proteger, provavelmente porque as outras defesas imunológicas do corpo foram suficientes para controlar a doença.

Já a terceira possibilidade, segundo a imunologista, é que um sistema imunológico saudável gerou uma alta quantidade de anticorpos que persistiram no organismo para serem valiosas no caso de uma segunda exposição ao vírus, o que acaba resultando em sintomas leves e a uma versão mais suave da doença. Stamataki diz ainda que infecções de outros tipos de coronavírus também podem ter deixado memórias nas células T, sendo a reposta para casos em que as pessoas não apresentam complicações graves pela COVID-19.

Sendo assim, a especialista conclui que o sistema imunológico e as células responsáveis pela defesa do corpo podem agir de formas diferentes em cada indivíduo, e por isso virologistas não estão surpresos com as notícias de reinfecção. Com evidências comprovando que pessoas assintomáticas também são contagiosas, a melhor forma de prevenção ainda é o uso de máscaras e o distanciamento social.

 

Fonte: The Conversation




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