Produção industrial avança 3,2% em agosto

Em agosto de 2020, a produção industrial cresceu 3,2% frente a julho, na série com ajuste sazonal. Mesmo com quatro altas consecutivas, o indicador ainda não eliminou totalmente a perda de 27,0% acumulada entre março e abril, no início da pandemia do Covid19, quando a produção industrial caiu ao patamar mais baixo da série.

Agosto 2020 / julho 2020 3,2%
Agosto 2020 / Agosto 2019 -2,7%
Acumulado no ano -8,6%
Acumulado em 12 meses 5,7%
Média Móvel Trimestral 6,9%

Em relação a agosto de 2019 (série sem ajuste sazonal), a indústria recuou 2,7%, décimo resultado negativo seguido nessa comparação. Com isso, o setor acumula perda de 8,6% no ano e de 5,7% em doze meses. A publicação completa da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) está à direita.

Produção Industrial por Grandes Categorias Econômicas – Brasil – Agosto de 2020

Grandes Categorias Econômicas Variação (%)
Agosto 2020/ Julho 2020* Agosto 2020/ Agosto 2019 Acumulado ano Acumulado nos Últimos 12 Meses
Bens de Capital 2,4 -16,9 -20,2 -14,3
Bens Intermediários 2,3 1,9 -4,2 -3,2
Bens de Consumo 2,9 -7,1 -13,7 -8,1
Duráveis 18,5 -7,7 -30,1 -18,8
Semiduráveis e não Duráveis 0,6 -7,0 -9,0 -5,2
Indústria Geral 3,2 -2,7 -8,6 -5,7
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria
*Série com ajuste sazonal

A atividade industrial nacional cresceu por quatro meses seguidos, mas ainda não elimina a queda de 27,0% acumulada no período março-abril de 2020, início da pandemia do Covid19. O resultado de agosto tem comportamento positivo de perfil disseminado, explicado pelo aumento do ritmo produtivo, após o aprofundamento das paralisações em diversas plantas industriais devido à pandemia.

O avanço de 3,2% da atividade industrial, de julho para agosto de 2020, alcançou todas as grandes categorias econômicas e 16 dos 26 ramos pesquisados.

Produção da atividade de veículos automotores avança 19,2% frente a julho

Entre as atividades, a influência positiva mais relevante foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 19,2% em agosto de 2020, impulsionada, em grande medida, pela continuidade do retorno à produção após a interrupção decorrente da pandemia. O setor acumulou expansão de 901,6% em quatro meses consecutivos de crescimento na produção, mas ainda está 22,4% abaixo do patamar de fevereiro último.

Outras contribuições positivas relevantes sobre o total da indústria vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,9%), de indústrias extrativas (2,6%), de produtos de borracha e de material plástico (5,8%), de couro, artigos para viagem e calçados (14,9%), de produtos de minerais não-metálicos (4,9%), de produtos alimentícios (1,0%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (11,5%), de metalurgia (3,2%), de produtos têxteis (9,1%) e de produtos de metal (3,1%).

Por outro lado, entre os dez ramos que apontaram redução na produção, produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,7%), perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-9,7%), outros produtos químicos (-1,8%) e bebidas (-2,5%) assinalaram os principais impactos negativos nesse mês.

Entre as grandes categorias econômicas, em relação a julho de 2020, bens de consumo duráveis, ao crescer 18,5%, mostrou a taxa positiva mais acentuada em agosto de 2020 e apontou o quarto mês seguido de expansão na produção, acumulando nesse período avanço de 524,2%. Mas o segmento ainda se encontra 3,0% abaixo do patamar de fevereiro último.

Os setores produtores de bens de capital (2,4%), de bens intermediários (2,3%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (0,6%) também assinalaram crescimento nesse mês, mas com todos avançando abaixo da média da indústria (3,2%). Todos esses segmentos apontaram expansão pelo quarto mês consecutivo e acumularam nesse período ganhos de 76,4%, 25,2% e 25,0%, respectivamente.

Média móvel avança 6,9% no trimestre encerrado em agosto

Ainda na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral para o total da indústria avançou 6,9% no trimestre encerrado em agosto após avançar 8,9% em julho, quando interrompeu a trajetória predominantemente descendente iniciada em novembro de 2019.

Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis (37,1%) assinalou o avanço mais intenso em agosto, após crescer 61,6% em julho, quando interrompeu o comportamento negativo presente desde dezembro de 2019.

Os setores de bens de capital (10,1%), de bens intermediários (5,8%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (4,5%) também mostraram taxas positivas em agosto de 2020. Os dois primeiros avançaram pelo segundo mês consecutivo e acumulam, nesse período ganhos de 31,1% e 13,3%, respectivamente; e o último permaneceu com a trajetória ascendente iniciada em maio de 2020.

Indústria recuou 2,7% em relação a agosto de 2019

Na comparação com igual mês de 2019, o setor industrial caiu 2,7% em agosto de 2020, com resultados negativos em três das quatro grandes categorias econômicas, 12 dos 26 ramos, 45 dos 79 grupos e 53,3% dos 805 produtos pesquisados. Sendo que agosto de 2020 (21 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (22).

Entre as atividades, a de Veículos automotores, reboques e carrocerias (-25,7%) teve a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada pelos itens automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões e autopeças.

Outras contribuições negativas importantes foram as dos ramos de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-23,8%), de impressão e reprodução de gravações (-57,9%), de couro, artigos para viagem e calçados (-23,6%), de metalurgia (-7,9%), de outros equipamentos de transporte (-29,9%), de máquinas e equipamentos (-7,0%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-21,3%), de indústrias extrativas (-2,0%) e de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,9%).

Por outro lado, ainda frente a agosto de 2019, entre as quatorze atividades em alta, as principais influências no total da indústria vieram de produtos alimentícios (5,7%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,0%) e bebidas (11,7%).

Outros impactos positivos importantes foram assinalados pelos ramos de produtos de metal (5,9%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (6,8%), de produtos de borracha e de material plástico (4,1%), de móveis (11,3%) e de produtos de minerais não-metálicos (3,5%).

Entre as grandes categorias econômicas, ainda frente a agosto de 2019, bens de capital (-16,9%) assinalou, em agosto de 2020, o recuo mais acentuado entre as grandes categorias econômicas. Os segmentos de bens de consumo duráveis (-7,7%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-7,0%) também mostraram redução na produção, enquanto o setor produtor de bens intermediários (1,9%) registrou a única taxa positiva nesse mês.

O segmento de bens de capital recuou 16,9% em agosto de 2020 frente a agosto de 2019 no sétimo resultado negativo seguido nesse tipo de comparação. O segmento foi influenciado, pela queda observada no grupamento de bens de capital para equipamentos de transporte (-31,3%).

As demais taxas negativas foram de bens de capital para fins industriais (-6,3%), para energia elétrica (-17,4%), para construção (-14,6%) e de uso misto (-3,4%). Por outro lado, o único impacto positivo foi assinalado pelo grupamento de bens de capital agrícolas (9,4%).

Já o segmento de bens de consumo duráveis, ao recuar 7,7% em agosto de 2020, assinalou a sétima taxa negativa consecutiva nessa comparação. O setor foi pressionado pela redução na fabricação de automóveis (-21,3%).

Vale destacar também o resultado negativo vindo da menor produção de motocicletas (-13,2%). Por outro lado, os impactos positivos vieram de eletrodomésticos da “linha branca” (22,6%) e da “linha marrom” (16,9%) e dos grupamentos de móveis (16,5%) e outros eletrodomésticos (7,9%).

O segmento de bens de consumo semi e não-duráveis, recuou 7,0% em agosto de 2020, oitava taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. O desempenho foi explicado, principalmente, pelas quedas registradas nos grupamentos de semiduráveis (-16,7%), de carburantes (-13,1%) e de não-duráveis (-9,3%). Por outro lado, o grupamento de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (0,3%) apontou a única taxa positiva nessa categoria.

O setor de bens intermediários cresceu 1,9% em agosto de 2020, após avançar 1,8% no mês anterior, quando interrompeu quatro meses consecutivos de queda. O resultado deve-se às atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (17,0%), de produtos alimentícios (15,1%), de produtos de borracha e de material plástico (3,8%), de outros produtos químicos (2,1%), de produtos de minerais não-metálicos (3,1%), de celulose, papel e produtos de papel (2,0%), de produtos de metal (0,8%) e de produtos têxteis (0,8%), enquanto as pressões negativas foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-27,1%), metalurgia (-7,9%), indústrias extrativas (-2,0%) e máquinas e equipamentos (-4,7%).

Destacam-se, ainda, os grupamentos de insumos típicos para construção civil (2,7%), segundo mês seguido de crescimento após cinco meses consecutivos de queda; e para o segmento de embalagens (-1,9%), na quinta taxa negativa consecutiva.

O setor industrial recuou 8,9% no segundo quadrimestre de 2020, sua queda mais intensa desde o primeiro quadrimestre de 2016 (-10,2%), permanecendo negativo desde o último quadrimestre de 2018 (-1,6%), sempre contra igual período do ano anterior.

A aceleração da perda da indústria na passagem do primeiro (-8,3%) para o segundo quadrimestre de 2020 (-8,9%) se deve à redução de ritmo em duas das quatro grandes categorias econômicas: bens de capital (de -16,0% para -23,9%) e bens de consumo duráveis (de -27,8% para -32,2%).

Já os bens intermediários (de -4,5% para -4,0%) e bens de consumo semi e não-duráveis (de -9,1% para -9,0%) permaneceram negativos, embora reduzindo a intensidade de perda.

Todas as grandes categorias econômicas acumulam recuo no ano

O acumulado no ano, frente a igual período de 2019, recuou 8,6%, com resultados negativos em todas as grandes categorias econômicas, 20 dos 26 ramos, 64 dos 79 grupos e 71,8% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as atividades, veículos automotores, reboques e carrocerias (-39,9%) exerceu a influência negativa mais intensa, pressionada pelos itens automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, autopeças e veículos para transporte de mercadorias.

Vale destacar também as contribuições negativas de metalurgia (-14,2%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-34,7%), máquinas e equipamentos (-14,5%), couro, artigos para viagem e calçados (-32,2%), outros equipamentos de transporte (-32,9%), produtos de minerais não-metálicos (-9,6%), produtos de borracha e de material plástico (-9,0%), produtos têxteis (-17,1%), produtos diversos (-21,9%), indústrias extrativas (-2,1%), impressão e reprodução de gravações (-37,7%) e produtos de metal (-7,3%).

Por outro lado, entre as seis atividades que apontaram ampliação na produção, as principais influências no total da indústria foram registradas por produtos alimentícios (5,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4,1%),

Entre as grandes categorias econômicas, os resultados de 2020 mostraram quedas em bens de consumo duráveis (-30,1%) e bens de capital (-20,2%), pressionadas, em grande parte, pela redução na fabricação de automóveis (-45,6%), na primeira; e de bens de capital para equipamentos de transporte (-34,9%) e para fins industriais (-14,5%), na segunda.

Os setores de bens de consumo semi e não-duráveis (-9,0%) e de bens intermediários (-4,2%) também acumularam taxas negativas no ano, com o primeiro apontando queda mais acentuada do que a da média nacional (-8,6%); e o segundo com a perda menos intensa entre as grandes categorias econômicas.




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