Pandemia quebra ritmo de crescimento da taxa de ocupação na baixa temporada

Nos últimos anos, Maceió tornou-se um dos grandes destinos turísticos do Nordeste, mas, em meio à pandemia do Covid-19 (coronavírus), a capital alagoana passou a conviver com um cenário jamais imaginado: fronteiras fechadas, redução de voos domésticos, remarcação de passeios, além de meios de hospedagem, bares e restaurantes fechados. A cadeia do turismo, tão acostumada à badalação de quem tem vocação natural para receber visitantes de qualquer lugar nacional ou internacional, teve que lidar com a inesperada paralisação.

Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e Serviços do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), o setor se questiona se, mesmo com todos os protocolos sanitários e a estabilidade de casos da doença na capital, o turista buscará satisfazer as necessidades de lazer e entretenimento. “Talvez o grande desafio a ser enfrentado pelo nosso Turismo seja o engajamento de todos, não somente dos empresários e prestadores de serviços em geral, mas do próprio turista e, especialmente de toda a sociedade”, estima.

O Instituto Fecomércio AL analisou os números do setor e constatou que, nos últimos anos, os meses considerados de baixa temporada vinham apresentando taxa de ocupação do setor hoteleiro aproximada – e, às vezes, superior – ao período delimitado como alta temporada, que são os meses entre novembro a fevereiro.  Em março de 2019, a taxa de ocupação foi 80,5%, um crescimento de 7,97 pontos percentuais (p.p.) quando comparado ao mesmo período de 2012 (78,08%). As menores taxas concentram-se nos meses de abril a junho, que juntos tiveram uma média de ocupação de 64,9%, em 2019, contra uma média de 58% no mesmo período de 2012.

“Março, mês de início da baixa temporada, vem apresentando taxa de ocupação acima dos meses de novembro e dezembro. Com esse crescente desempenho nos últimos anos, a paralisação do setor hoteleiro devido à pandemia do coronavírus, mesmo em baixa temporada, que praticamente inexiste na capital, o prejuízo é gigante”, avalia Felippe Rocha, assessor econômico da Fecomércio AL. “Claro, em baixa temporada, a diária cobrada é menor do que nos períodos mais demandados, mas certamente o faturamento é necessário para manutenção desses empreendimentos e a garantia de negócios e empregos para os próximos anos”, complementa.

Segundo dados da Receita Federal do Brasil (RFB), existem 192 hotéis e 7 apart-hotéis na capital. O porte dessas empresas é distribuído entre 99 Microempresas, com faturamento de até R$ 360 mil; 57 Empresas de Pequeno Porte (EPP) com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões; e 41 empreendimentos com faturamento acima desse valor.

Em relação à empregabilidade, o Extrator de Dados do Turismo – IBGE dá uma ideia da importância do setor: são 14.972 postos de trabalho formais gerados entre os diversos segmentos que atuam na cadeia do Turismo. No segmento de alojamento (pousadas e hotéis), existem 3.632 colaboradores. No ramo de alimentação, que compreende os bares e restaurantes que atendem todo esse público, são 9.562 pessoas. Considerando todos os segmentos, o Turismo gera 193.795 empregos formais somente em Maceió, empregando 7,72% dos colaboradores celetistas da capital. “A título de comparação, utilizaremos Maragogi, município famoso como destino turístico. Lá, a cadeia do Turismo é ainda mais importante, pois dos 3.941 empregos formais existentes na região, 2.150 são deste setor. Ou seja, o Turismo é responsável por 54,55% dos postos de trabalho locais”, aponta Felippe.

Para o economista, é consenso que todas as economias abertas do mundo deverão sofrer com a depressão das atividades este ano. O Relatório Focus estima uma queda global de 4,5% e já afirmou que o Brasil poderá apresentar queda de 6,53% nas atividades. “Todos os segmentos econômicos apresentam contração das atividades, menos o setor de alimentação, tendo os supermercados, hipermercados e mercados apresentado expressiva alta no período, já que os consumidores, em isolamento social, recorreram ao espaço de consumo mais vezes do que o de costume”, analisa.

E se as empresas do setor já enfrentam a dificuldade de sobreviverem em meio a uma economia incerta, a retomada será ainda mais desafiadora. “O setor precisará, certamente, de ajuda de todos os entes federados, já que a desconfiança para viagens e passeios ainda será enorme, tanto por turistas domésticos quanto por turistas internacionais. Assim, as médias de lotação nos próximos meses serão menores do que a média histórica apresentada acima”, diz o economista.

Pós-pandemia

Para a assessora da presidência da Fecomércio, Cláudia Pessôa, o otimismo peculiar de todos que trabalham no setor, aliado às ações de organização para a retomada do fluxo turístico irá auxiliar nesse processo. Isto porque instituições da iniciativa privada e órgãos públicos já trabalham em protocolos e selos que darão segurança para a reconquista e fidelidade dos clientes. Mas há segmentos do Turismo cuja recuperação pode demorar um pouco mais. “O segmento de eventos foi o primeiro a ser atingido pelo efeito devastador nos negócios causado pela pandemia e o necessário distanciamento social. No formato que aconteciam, será o último a retornar às atividades ou com a possibilidade de ser totalmente reinventado”, observa.

Com as medidas restritivas, a assessora aponta que o mais importante neste momento é a manutenção do interesse pela localidade a ser visitada, e a estratégia tem sido a realização de lives e capacitações virtuais atualizando agentes de viagens e operadores de turismo acerca do destino junto a campanhas de marketing digital ressaltando ainda mais as parcerias. “O turismo regional, no qual o deslocamento se dará em veículos menores, com distâncias curtas é o que se apresenta para o futuro próximo”, afirma Cláudia.

Taxa de ocupação média, por mês, de hotéis e pousadas de Maceió – 2012 a 2019

 




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