Operação humanitária: bombeiro alagoano relata experiência na África


Salvar. A missão é dada todos os dias. Algumas mais simples outras bem complexas. Elas marcam a carreira profissional, amadurecem, engrandecem o bombeiro militar. Especialista em busca e salvamento, o 3º sargento André Rapini está em Moçambique desde o dia 31 de março, ajudando as vítimas do ciclone no país africano, em operação com a Força Nacional.

Confira a entrevista onde ele conta como tem sido essa experiência internacional.

Em que regiões a operação tem sido executada?

Onde estamos foi um local pouco atingido pela água, que é aqui em Beira, mas foi atingido por fortes ventos. Mas estivemos em outras localidades que foram muito atingidas, como a comunidade brasileira em Dondo. Na semana passada, fomos para Búzi, uma região que alagou bastante, que agora tem menos água, mas como as casas são muito precárias elas foram muito atingidas.

De que forma a Força Nacional se preparou para essa missão?

Operacionalmente falando ainda tem algumas localidades que são de difícil acesso, em que só conseguimos chegar de aeronave. Nossa logística está muito boa, trouxemos muitos materiais, comida, água. Com relação às instalações é bem difícil, tem muitas pessoas de muitos países atuando por aqui, estamos num acampamento no aeroporto, e também temos receio de doenças porque aqui tem um surto de cólera e malária, mas fomos vacinados e sempre usamos muito repelente para nos protegermos bem dos mosquitos. Estamos muito motivados em ajudar a população e isso nos deixa muito felizes. E quando você está feliz e faz o que gosta, chega à excelência no seu trabalho. Eu venho dizendo que eu me preparei durante 42 anos para essa missão, desde que eu nasci, e tem sido muito gratificante poder ajudar.

Como tem sido o contato com as pessoas atingidas pelo ciclone?

Diferentemente de Brumadinho, onde nós não tínhamos muito contato com os familiares, aqui nós estamos sempre juntos da população quando estamos levando alimento, montando barraca, ajudando a abrir um local para acampamento. Então temos esse contato direto com as pessoas atingidas que estão em uma situação muito crítica. A gente conversa, porque aqui eles também falam português, eles contam a situação que eles estão, as crianças falam que estão com fome e nem sempre podemos ajudar a todos. O coração fica partido de ver tudo isso, é uma missão muito difícil.

Como bombeiro, o que significa estar nessa missão em Moçambique?

Acredito que todo bombeiro gostaria de estar atuando numa missão como essa de ajuda humanitária. Me sinto muito realizado em estar aqui num momento de tanta dificuldade para o país, em que eu posso trazer aqui a minha experiência como bombeiro e ajudar as pessoas que estão necessitando nesse momento. Nós achamos que temos problemas, às vezes reclamamos de coisas pequenas, mas aqui quando a gente dá uma simples maçã eles abrem aquele sorriso.