O que leva uma mulher a trabalhar com prostituição? A psicologia explica

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O mundo já está careca de saber que a prostituição é uma das profissões mais antigas do mundo — temos que concordar que, se ela era popular desde a Idade Média e persiste até hoje em tempos de crise, é porque existe um ótimo motivo para isso. Mas, afinal, que motivos levam uma mulher a trabalhar como garota de programa? Enquanto alguns tentam buscar respostas no âmbito social e financeiro, não podemos nos esquecer do aspecto psicológico.

“Se tratando de sexo, desejo, prazer e tabu, a prostituição segue, mesmo diante de tantas metamorfoses sexuais, com os próprios negócios em ascensão. Aliás, diga-se de passagem, a prostituta é um personagem muito antigo na história da sociedade. Na antiguidade, eram tratadas com respeito e faziam sexo com os sacerdotes, o que era considerado um ato de celebração aos deuses”, afirma Breno Rosostolato, psicólogo e especialista em educação sexual. O Mega Curioso procurou o especialista para que ele me pudesse explicar alguns detalhes sobre a prostituição pelo ponto de vista da psicologia — um aspecto importante que é comumente ignorado.

Como bem observado por Breno, mulheres vendem seus corpos desde a Idade Média. A atividade, naqueles tempos, sofria com mais preconceito do que nos dias atuais, mas desde já todos entendiam que a profissão era necessária para organizar os desejos da sociedade. Através da prostituição, jovens rapazes tinham sua iniciação ao sexo afirmando sua masculinidade.

“Os padrões sexuais se tornavam estáveis com a presença das prostitutas, pois a ordem e a estabilidade social aconteciam mediante a satisfação carnal. A prostituição estava instalada tanto nos bairros nobres quanto naqueles frequentados por marinheiros e camponeses. Os bordéis eram lugares terapêuticos, nos quais homens casados, depois de uma discussão com a esposa ou preocupações rotineiras com a casa e com o trabalho, buscavam os serviços da prostituta para extravasar a raiva, a ansiedade e o conflito vivido”, explica.

Necessidade ou escolha?

A maioria das pesquisas apontam problemas financeiros e sociais como as causas da prostituição — falta de oportunidade de emprego, conflitos familiares, necessidade emergencial de dinheiro e assim por diante. Algumas vertentes do feminismo discordam da figura da mulher que se prostitui por vontade própria e culpa o machismo embutido na sociedade. Porém, para Breno, existem outras questões importantes que costumam ser ignoradas.

“Não sou ingênuo de não considerar que, de fato, existe um sistema patriarcal e que sempre violentou as mulheres como objetos, mas não seria radical a ponto de discordar das escolhas individuais. Existem outros fatores que levam a pessoa a se prostituir que passam por uma questão de desejo e vontades próprias também, levando em consideração uma pluralidade deste desejo e da sexualidade”, comenta o especialista.

Quando questionado se é possível observar um perfil psicológico exato entre as garotas de programa, o entrevistado nega a existência de características em comum nas prostitutas da atualidade, mas ressalta que, na maioria das vezes, as mulheres têm entre 18 e 27 anos, possuem ensino superior, se auto-intitulam modelos e trabalham como acompanhantes de luxo. Elas quase sempre descrevem sua profissão como “algo passageiro” e frequentam estabelecimentos com um público bastante seleto.

“Além disso, outros agravantes à saúde como a depressão e o uso de drogas são comuns. Fato é que o número de pessoas que se prostituem aumenta porque existe demanda, logo, devemos nos atentar para este movimento social e superar hipocrisias, afinal, o brasileiro, que se diz tão cordial revela-se reacionário e um povo conservador e preconceituoso”, diz.

Na mente dos clientes

Breno também é à favor da legalização da prostituição. Para ele, é essencial que a sociedade participe de encontros, debates e conferências sobre o tema, pois, em um mundo igualitário e justo, é importante ouvir o que tais trabalhadoras têm a dizer.

“A legalidade, além dos benefícios trabalhistas como contrato de trabalho e seguridade social (incluindo aposentadoria) impactaria diretamente na violência sofrida por muitas mulheres que são exploradas por agenciadores e aproveitadores que lucram à custa destas profissionais. Inúmeros fatores levam alguém a se prostituir, desde por necessidades de sobrevivência até vontade e desejos próprios. O sofrimento se dá quando não reconhecemos esta profissão como qualquer outra. Não olhar para a prostituição de maneira digna é violentar”, ressalta.

Por fim, o psicólogo falou um pouco sobre os clientes que procuram o universo da prostituição, e, acredite ou não, existem motivos bem interessantes por trás da necessidade masculina de visitar um prostíbulo. “A solidão vivida por muitos homens facilita a procura pelo serviço da prostituta, pois o indivíduo é cada vez mais exigido das mulheres quanto ao seu desempenho sexual. Essas cobranças fazem com que ele se refugie com uma garota de programa, que o acolhe sem estas exigências, diminuindo o sentimento de angústia e frustração”, explica o psicólogo.

“O pagamento ainda reforça a falta de preocupação do homem quanto à satisfação da prostituta. O dinheiro pago o isenta de qualquer dívida, o livrando de vínculos, além de que os homens sentem-se poderosos e no controle da situação. O instinto sexual masculino e a virilidade são preservados e garantidos. Não se sentem questionados ou avaliados pelo que fazem ou deixam de fazer. Tudo está pautado na individualidade e na autossuficiência. É o imediatismo da satisfação atrelada ao narcisismo, que não admite o descontentamento do outro”, finaliza.

Como diria Oscar Wilde: tudo no mundo tem a ver com sexo, menos sexo. Sexo tem a ver com poder.

Megacurioso

24/10/2016




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