Mesmo com vacina, o ‘velho normal’ não voltará tão cedo, dizem especialistas

As campanhas de vacinação contra o coronavírus deverão começar no Brasil em meados de janeiro e será fundamental engajar a população para conseguir o máximo de adesão. Ao mesmo tempo,é importante compreender, frisam especialistas ouvidos pela reportagem, que as pessoas imunizadas não poderão voltar à vida normal logo de cara.

— A vacina não é um alvará de soltura nem um atestado de libertação completo — afirma a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz — Quando as pessoas perguntam se precisam continuar usando máscara e mantendo distanciamento, a resposta é “sim”.

— Comunicar isso vai exigir sensibilidade, mais do que expertise — complementa a pesquisadora — As pessoas precisarão entender que o fato de elas serem vacinadas não as libera de precauções que ainda deverão durar pelos próximos dois anos.

É que os especialistas sabem que pregar medidas fundamentais de cautela em meio à celebração natural do êxito da própria ciência pode ter efeito oposto ao que eles próprios desejam: diminuir o interesse do público-alvo em buscar o imunizante — risco potencializado num contexto em que o presidente da República questiona publicamente os benefícios da vacina.

Imunidade começa aos 60%
A vacinação é atividade crucial para debelar a pandemia. E o programa de imunização, por aspectos logísticos, vai se estender por muitos meses (ver gráfico ao lado). Por isso, será preciso continuar a monitorar os números de mortes e novos casos de coronavírus no país até que se verifique uma desaceleração de fato consistente da pandemia.

Segundo Dalcolmo, esse estado de “imunidade de rebanho” — no qual o vírus encontra pela frente mais pessoas protegidas do que suscetíveis — deve começar a ser perceptível em algum momento após mais de 60% da população já tiver recebido a vacina. Ou seja,é essencial a vacinação em massa.

A julgar pela quantidade de doses de vacina que o governo federal espera assegurar, ainda não é possível determinar com exatidão quando esse limiar será atingido. O mais provável é que seja no segundo semestre de 2021 — mas também pode ser em 2022.

Com informações de Jornal Extra




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