Mapas de monitoramento mostram crescimento de contágio pelo coronavírus em Maceió

Seis bairros da capital apresentam maiores taxas de incidência de contágio

O monitoramento diário do contágio de covid-19 em Maceió, pelo Instituto de Geografia Desenvolvimento e Meio Ambiente (Igdema), da Universidade Federal de Alagoas, aponta que, em ordem de quantidade de casos, os bairros da capital que apresentam maior incidência de coronavírus são: Jacintinho, Benedito Bentes, Tabuleiro do Martins, Cidade Universitária, Jatiúca e Ponta Verde. Apesar disso, segundo os pesquisadores, não se pode deixar de prestar atenção aos outros 44 bairros, pois em cada um deles, o vírus pode se disseminar de forma diferente, devido a existência de muitas variáveis que podem favorecer sua ocorrência.

O monitoramento, com divulgação diária de mapas de acompanhamento de disseminação do vírus em Maceió, é uma das ações do Estudo da vulnerabilidade socioespacial à pandemia de covid-19, coordenado pelo geógrafo Esdras de Lima Andrade e conta com a participação de 15 pesquisadores. Os dados são obtidos por meio do painel de monitoramento epidemiológico mantido pela Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag). É feita a tabulação em uma planilha eletrônica, na qual é possível derivar novos dados e especializá-los usando um sistema geográfico de informações, resultando nos citados mapas.

Esdras explica que os mapas elaborados são divulgados de duas formas: uma aberta para download em um serviço de nuvem, onde qualquer pessoa ou entidade interessada tem acesso livre. A outra forma se dá mediante o envio para o grupo de professores pesquisadores da Ufal e técnicos de alguns órgãos públicos que estão diretamente envolvidos no monitoramento e combate à pandemia e que têm se prontificado em socializa-los. Além disso, a divulgação também é realizada nos perfis das redes sociais do Igdema.

O estudo da vulnerabilidade social, finalizado em junho, foi disponibilizado em forma de e-book e atualmente, além dos mapas diários, também tem o projeto de extensão com a finalidade de disponibilizar um produto interativo de consulta. O projeto conta com participação de três alunos do curso de Geografia, consolidando mais uma área de atuação da Ufal frente à pandemia.

“É preciso explicar que a covid-19 é, primordialmente, um problema urbano, que se favorece de fatores, como alta demografia, conectividade intraurbana e atividades econômicas. Ou seja, bairros com grande adensamento de pessoas, via de regra possuem um comércio dinâmico, com fartura de oferta de bens e serviços. E, por conta desses dois fatores, propiciam uma maior circulação de pessoas. O inverso também é verdadeiro”, explica o geógrafo.

A transmissão da doença também está associada a questão comportamental da população que em muitas situações insiste em não usar máscaras ou higienizar devidamente as mãos e outros comportamentos de risco.

No caso dos seis bairros da capital que apresentam maiores taxas de incidência da doença, Esdras diz que o maior desafio de controle e minimização do contágio consistem em desestimular a circulação e aglomeração de pessoas sem impactar ainda mais a economia local. “Talvez, se os gestores públicos tivessem adotado efetivamente desde o início da pandemia os dados e as informações de endereçamento das pessoas infectadas para identificar os pontos focais e isolar essas áreas, a realidade poderia ter sido outra. Tanto sob a perspectiva econômica, quanto sanitária”, opina.

Os mapas, divulgados todos os dias desde a constatação da pandemia no país, iniciou com o monitoramento da situação no cenário nacional e evoluiu até o município de Maceió, em abril, quando começou a divulgação dos dados locais. Mesmo assim, Esdras enfatiza que desenvolver estudo sobre a vulnerabilidade socioespacial relacionada à covid-19, foi uma atividade desafiadora, devido as dificuldades naturais de obtenção dos dados e ao pouco tempo disponível para a execução, mas ao final satisfatória.

“O resultado final trouxe uma contribuição acerca das análises sobre as principais causas da expressão desta doença na região urbana do município de Maceió, mostrando-se um importante subsídio para o entendimento do comportamento da pandemia. Tornando-se assim, uma leitura indispensável para profissionais e estudantes interessados em Geografia da Saúde”, afirma.

Geografia e relações sociais

A Geografia é uma ciência que se desenvolveu a partir do uso de métodos empregados em outras ciências e áreas de conhecimento, além de desenvolver seus próprios métodos. Tem como principal objeto de estudo as relações sociais que se desenvolvem no espaço, modificando-o fisicamente ou ressignificando-o culturalmente. Partindo dessa premissa, segundo Esdras, a Geografia atua em qualquer temática no qual o espaço, o lugar, a região são o centro das questões.

A exemplo da área de saúde, também existem abordagens voltadas para este meio e ela é conhecida como Geografia da Saúde, que se põe a serviço da análise da manifestação das doenças no espaço, contribuindo significativa e decisivamente ao fornecer dados e informações relevantes ao delimitar a abrangência e/ou a concentração de doenças nas unidades territoriais.

“Com isso, produtos como os mapas que são divulgados diariamente e o estudo sobre a vulnerabilidade socioespacial dos bairros de Maceió à pandemia de Covid-19 podem auxiliar os tomadores de decisão ao fornecer informações técnicas embasadas cientificamente. Portanto, cabe somente a eles prescindir ou não de tais recursos”.

Atividades

Especialista em Análise Ambiental e mestre em Geografia, Esdras está engajado também em mais três projetos ligados ao combate do coronavírus, tanto no âmbito acadêmico, quanto nos grupos de trabalho multidisciplinares nas esferas estadual e nacional. A exemplo da pesquisa epidemiológica que irá diagnosticar a dimensão da doença com mais precisão, na capital e nos demais 101 municípios de Alagoas e do Atlas das Políticas Públicas de Enfrentamento de covid-19 no Brasil.

 

UFAL




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