Liberação do FGTS começa nesta semana

Vai começar na sexta-feira (dia 13) a liberação dos recursos do FGTS referentes ao saque imediato ou emergencial no valor de R$ 500, para quem tem conta poupança na Caixa Econômica Federal. A medida foi proposta pelo governo na tentativa de aquecer a economia ainda em 2019, mas este primeiro pagamento não bloqueia a possibilidade de retirada do saldo total, caso o trabalhador perca seu emprego.

Nesta primeira fase, cada pessoa poderá sacar até R$ 500 por conta vinculada, seja ativa ou inativa, a depender do saldo disponível. Se o trabalhador tiver mais de uma conta, o valor ao qual terá direito poderá ultrapassar esse limite. Ou seja, quem tem três contas de FGTS poderá somar até R$ 1.500, por exemplo.

O cliente da Caixa com caderneta de poupança aberta até 24 de julho deste ano receberá o dinheiro automaticamente nesta conta, de acordo com o calendário abaixo. Já quem tem conta-corrente e informou ao banco, até dia 25 de agosto, seu desejo de também ter crédito automático vai receber na mesma data dos poupadores.

Caso não tenha informado sua vontade a tempo, o correntista não terá preferência, ou seja, será contemplado com o saque a partir de 18 de outubro, de acordo com sua data de aniversário, como os demais trabalhadores sem qualquer vínculo com a Caixa (confira abaixo).

Os clientes que não quiserem retirar os R$ 500 poderão solicitar o desfazimento até 30 de abril de 2020, pelo site da Caixa, pelo internet banking ou pelo aplicativo FGTS.

Para quem tem Cartão Cidadão e senha cadastrada, o saque de até R$ 500 poderá ser feito num terminal de autoatendimento. Caso contrário, será necessário ir a uma agência. Valores até R$ 100 poderão ser retirados em lotéricas, mediante a apresentação de um documento de identidade original com foto e do número do CPF. Mas, com o Cartão Cidadão, será possível retirar os R$ 500.

Para o coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, a primeira coisa a fazer é quitar dívidas:

— A maioria dos endividados brasileiros tem débitos de até R$ 500. O interessante é renegociar , para conseguir quitar o débito completamente. Mas, se o valor não for suficiente, é melhor continuar pagando as parcelas e guardar o dinheiro como uma reserva para imprevistos.

Professor de Finanças do Insper, Ricardo Rocha alerta que é preciso ter controle da movimentação da conta para que o dinheiro não seja depositado, e a pessoa gaste sem perceber a que o crédito se refere. Em sua opinião, quem não tem dívidas a pagar deve pensar duas vezes antes de optar pela retirada:

— A orientação é guardar o dinheiro, e o FGTS está rendendo mais do que muita aplicação. Além disso, deve-se ter ciência de que em muitas aplicações há desconto do imposto no saque.

Saque-aniversário: adesão em outubro

O governo criou uma nova modalidade para a retirada dos recursos do FGTS: o saque-aniversário, no qual o trabalhador poderá resgatar um percentual do FGTS todos os anos, no mês de seu aniversário ou até dois meses depois. No entanto, quem optar por esse modelo não poderá receber o saldo do Fundo de Garantia se for demitido pelo empregador sem justa causa. Nesse caso, o trabalhador somente terá o valor correspondente à multa de 40% paga pelo patrão. O dinheiro poderá ser completamente sacado apenas em caso de aposentadoria, aquisição da primeira casa própria ou doença grave.

A opção pelo saque-aniversário poderá ser feita a partir de outubro deste ano. O pagamento, no entanto, começará apenas em abril de 2020. Mas, se a pessoa desistir da opção, será necessário esperar 25 meses para voltar à modalidade antiga. O trabalhador que migrar para o saque-aniversário poderá utilizar os recursos do FGTS como garantia para crédito pessoal, como já acontece com o adiantamento da restituição do Imposto de Renda (IR): a quitação do empréstimo ficará condicionada ao dinheiro que o trabalhador vai receber, diz o Extra.

— Muitas pessoas vão se entusiasmar com a possibilidade de receber um dinheiro extra todo ano. Mas, no caso de perda do emprego e de uma emergência, vão se surpreender por acharem que têm direito a um dinheiro que não vão receber — afirma o professor de Finanças do Insper Ricardo Rocha.

Professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira diz que a modalidade só é interessante para as pessoas que têm certeza de que não vão perder seus empregos ou para quem tem uma poupança com dinheiro suficiente para se sustentar por cerca de seis meses, caso fique desempregado.

09/09/2019

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *