IBGE: quem mais utiliza o SUS avaliou positivamente a qualidade dos serviços

Em 2019, pela primeira vez, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) coletou informações sobre a Atenção Primária à Saúde (APS). Também foi a primeira vez que um instituto oficial de estatísticas utilizou o Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde, que é recomendado pelos organismos de cooperação internacional e permite, a partir das respostas dos entrevistados, atribuir notas ao atendimento que receberam.

Os primeiros resultados do Módulo H da PNS-2019, que contemplou um conjunto de perguntas do instrumento validado internacionalmente e publicado no Brasil pelo Ministério da Saúde, Primary Care Assessment Tool (PCATool Brasil), apontam que os adultos que mais utilizam o SUS avaliaram mais positivamente a qualidade dos serviços de Atenção Primária à Saúde no país.

Em 2019, 17,3 milhões (10,7%) de pessoas de 18 anos ou mais de idade procuraram algum serviço da Atenção Primária à Saúde (APS) nos seis meses anteriores à entrevista. Entre elas, 69,9% eram mulheres; 53,8% não tinham uma ocupação e 64,7% tinham renda domiciliar per capita inferior a um salário mínimo.

No Escore Geral da APS, que varia de 0 a 10, a nota final obtida na pesquisa foi 5,9, abaixo do escore que indica excelência na atenção à saúde (6,6). Ou seja, a nota obtida para o total do Brasil foi pouco abaixo do valor considerado mínimo ideal para uma boa qualidade dos serviços de atenção primária, de acordo com a metodologia do instrumento. Por exemplo, aqueles que referiram doença do coração resultaram nota 6,4; diabetes, 6,3; hipertensão, 6,2; depressão, 6,1; notas superiores aos que não possuem estas morbidades. Aqueles que recebem visitas de agentes comunitários de saúde, visitas de agentes de endemias, também atribuíram nota superior.

Os dados revelaram ainda que os idosos, com mais morbidades e que também são os que mais utilizam os serviços de saúde, avaliaram com nota superior (6,1), quando comparados aos adultos de 18 a 39 anos (5,6) e adultos de 40 a 59 anos (5,9). Homens (5,9) e mulheres (5,8) avaliaram de forma semelhante esses serviços, assim como os moradores brancos (5,9) e os pardos/pretos (5,9).

Em 2019, cerca de 25,9% da população do país com 18 anos ou mais de idade (ou 41,2 milhões de pessoas) estavam obesos, sendo 29,5% das mulheres e 21,8% dos homens. Cerca de 60,3% da população nesse grupo etário (96 milhões de pessoas) estavam com sobrepeso. Essa proporção entre as mulheres (62,6%) superou a dos homens (57,5%).

O excesso de peso ocorria em 19,4% dos adolescentes de 15 a 17 anos, sendo em 22,9% das moças e em 16% dos rapazes. A obesidade ocorria em 6,7% dos adolescentes: 8,0% no sexo feminino e 5,4 % no sexo masculino.

Entre 2003 e 2019, os resultados de duas pesquisas do IBGE (POF e PNS) mostraram que a proporção de obesos na população com 20 anos ou mais de idade do país saltou de 12,2% para 26,8%. Nesse período, a prevalência da obesidade feminina passou de 14,5% para 30,2% e se manteve acima da masculina, que subiu de 9,6% para 22,8%.

Já a proporção de pessoas com excesso de peso na população com 20 anos ou mais de idade no país subiu de 43,3% para 61,7%, nos mesmos 17 anos.

Essas informações fazem parte do segundo volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, realizada em convênio com o Ministério da Saúde, que traz dados sobre desnutrição, sobrepeso e obesidade na população com 15 anos ou mais de idade, além de informações sobre a Atenção Primária em Saúde e as visitas de agentes de saúde.

Atenção Primária em Saúde tem escore nacional de 5,9

Em 2019, pela primeira vez, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) coletou informações sobre a Atenção Primária à Saúde (APS). O questionário foi aplicado aos moradores com 18 anos ou mais de idade que tiveram pelo menos dois atendimentos com o mesmo médico em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Unidades de Saúde da Família (USF).

O questionário aplicado é uma versão adaptada e reduzida do “Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde – versão adulto”. O Brasil foi o primeiro país onde um instituto oficial de estatísticas utilizou esse instrumento validado internacionalmente. A análise deste questionário permitirá comparações internacionais e a criação de uma base para avaliação do SUS e das políticas de atenção primária do país.

Em 2019, 17,3 milhões de pessoas com 18 anos ou mais de idade (ou 10,7% dessa população) procuraram algum serviço da Atenção Primária à Saúde, nos últimos seis meses anteriores à data da entrevista, cujo atendimento não fora o primeiro realizado com o mesmo médico. As respostas dos questionários receberam valores que foram usados para se calcular o escore geral da APS, que varia de 0 a 10. Pelos padrões internacionais, um escore igual ou superior a 6,6 aponta excelente qualidade de atenção primária à saúde. O Escore Geral da APS obtido pelo Brasil foi de 5,9.

Pessoas de 18 anos ou mais de idade que utilizaram algum serviço da Atenção Primária de Saúde, nos últimos seis meses antes da data da entrevista, e o Escore Geral da Atenção Primária à Saúde – 2019

Características Pessoas de 18 anos ou mais de idade que utilizaram algum serviço da Atenção Primária de Saúde e o Escore Geral da Atenção Primária à Saúde (0 a 10)
Total (1 000) Distribuição (%) Escore Geral
Total    17 261 100,0      5,9
Sexo
Homem 5 204          30,1             5,9
Mulher 12 057              69,9       5,8
Grupos de idade   
18 a 39 5 627           32,6         5,6
40 a 59 6 177        35,8           5,9
60 ou mais 5 457      31,6    6,1
Cor ou raça   
Branco 6 555      38,0          5,9
Preto ou pardo 10 514         60,9           5,9
Estado conjugal
Tem cônjuge 11 222            65,0             5,9
Não tem cônjuge 6 039         35,0             5,9
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2019.

Foram investigadas características como sexo, grupos de idade, cor ou raça e estado conjugal dos usuários desses serviços. Entre as pessoas de 18 anos ou mais de idade que utilizaram algum serviço da Atenção Primária à Saúde, nos seis meses anteriores à entrevista, 69,9% eram mulheres; 60,9% eram pretas ou pardas; 65,0% eram cônjuges e 35,8% tinham entre 40 a 59 anos de idade.

Os homens deram nota 5,9 à APS e as mulheres deram 5,8. Entre os mais jovens (18 a 39 anos) o escore ficou em 5,6 e, entre os mais velhos (60 anos ou mais de idade), em 6,1. As pessoas não ocupadas deram nota 5,9 e as ocupadas, 5,8.

64,7% dos usuários de APS têm renda per capita inferior a um salário mínimo

No país, 53,8% dos usuários de APS não tinham uma ocupação (trabalho) e 64,7% tinham renda domiciliar per capita inferior a um salário mínimo. Os 32,3% seguintes inseriam-se na faixa de 1 a 3 salários mínimos.

Quanto às faixas de rendimento domiciliar per capita, o escore geral também não mostrou uma linearidade: tanto os mais pobres quanto os mais ricos tiveram a mesma percepção em relação ao serviço prestado, pontuando seus atributos com escore geral de forma similar: 5,8.

Cerca de 94,4% dos usuários analisados não tinham plano de saúde. Sua nota para os atributos da APS foi 5,9.

76,5% dos usuários de APS estavam cadastrados na unidade de saúde da família

Dos domicílios com moradores de 18 anos ou mais que tiveram pelo menos dois atendimentos no âmbito da APS, 76,5% estavam cadastrados na unidade de saúde da família. Em média, 73,0% dos domicílios cadastrados na unidade de saúde receberam ao menos uma visita de algum agente de combate a endemias.

Os moradores dos domicílios cadastrados na unidade de saúde atribuíram nota 6,0 à APS, e os moradores de domicílios não cadastrados deram nota 5,5. Entre aqueles que receberam pelo menos uma visita de algum agente comunitário ou membro da equipe de saúde, o escore foi 6,1, e para os que nunca receberam qualquer visita destes profissionais, o escore foi de 5,7. Os moradores que receberam pelo menos uma visita de agentes de combate a endemias avaliaram a APS relativamente melhor (6,0) do que aqueles que nunca receberam visitas (5,6).

Metade dos usuários de APS avaliam a própria saúde como boa ou muito boa

Das pessoas de 18 anos ou mais de idade que utilizaram algum serviço da Atenção Primária de Saúde nos últimos seis meses antes da data da entrevista, no Brasil, 50,1% avaliaram seu estado de saúde como “muito bom ou bom”. O restante considerou seus parâmetros de saúde entre “regular, ruim ou muito ruim”. Essas pessoas tendiam a atribuir escore geral ligeiramente maior ao serviço prestado pela unidade de saúde.

Seis em cada dez adultos estão com excesso de peso

A PNS estimou que 60,3% da população adulta apresentaram excesso de peso, o que representa cerca de 96 milhões de pessoas. Essa proporção era maior no sexo feminino (62,6%) do que no sexo masculino (57,5%).

A prevalência de excesso de peso aumenta com a idade e ultrapassa os 50% na faixa etária de 25 a 39 anos de idades. Nessa faixa de idades, a proporção de sobrepeso é um pouco mais elevada no sexo masculino (58,3%) do que no feminino (57,0%). No entanto, nos demais grupos etários, os percentuais de excesso de peso eram maiores entre as mulheres.

Três em cada dez mulheres adultas estão obesas

A obesidade, caracterizada por IMC igual ou superior 30 kg/m², foi observada para 21,8% dos homens e 29,5% das mulheres com 18 anos ou mais de idade.

A obesidade segue o mesmo padrão etário do excesso de peso e é mais elevada no sexo feminino, chegando a 38,0% das mulheres com idade de 40 a 59 anos, contra 30,0% dos homens no mesmo grupo de idade.

Um em cada cinco adolescentes de 15 a 17 anos está com sobrepeso

A PNS coletou as medidas antropométricas de peso e altura dos moradores de 15 anos ou mais de idade, selecionados aleatoriamente em uma subamostra dos domicílios da pesquisa. Para manter a comparabilidade com a PNS 2013, cuja amostra foi feita com moradores de 18 anos ou mais de idade, os dados foram divididos em dois grupos etários, adolescentes de 15 a 17 anos e adultos de 18 anos ou mais de idade.

A prevalência de excesso peso para os adolescentes com idades entre 15 e 17 anos foi de 19,4% (1,8 milhão de pessoas), sendo mais elevada para as adolescentes do sexo feminino (22,9%), em relação aos do sexo masculino (16,0%). Já o indicador de obesidade ficou em 6,7%, com cerca de 8,0% para o sexo feminino, e 5,4 % no sexo masculino.

Prevalência de déficit de peso, excesso peso, obesidade e totais estimados na população com 18 anos ou mais de idade, por sexo, segundo os grupos de idade – Brasil –  2019
Grupos de idade Prevalência de déficit de peso,  excesso de peso, obesidade e totais estimados, na população com 18 ou mais anos de idade (%)
Total Sexo
Masculino Feminino
Prevalência Absoluto Prevalência Absoluto Prevalência Absoluto
% (1 000 pessoas) % (1 000 pessoas) % (1 000 pessoas)
Déficit de peso
Total 1,6 2 215 1,7 1 104 1,5 1 112
18 a 24 anos
25 a 39 anos 1,9  876 2,4  541 1,4  335
40 a 59 anos 0,8  441 0,9  230 0,7  212
60 anos e mais 2,6  898 2,2  333 2,9  565
Excesso de peso
            Total 60,3 95 901 57,5 42 899 62,6 53 002
18 a 24 anos 33,7 7 434 25,7 2 850 41,7 4 585
25 a 39 anos 57,6 26 817 58,3 13 087 57,0 13 730
40 a 59 anos 70,3 39 497 67,1 17 533 73,1 21 964
60 anos e mais 64,4 22 153 63,3 9 429 65,3 12 724
Obesidade
            Total 25,9 41 230 21,8 16 252 29,5 24 978
18 a 24 anos 10,7 2 366 7,9  876 13,5 1 490
25 a 39 anos 23,7 11 038 19,3 4 333 27,9 6 705
40 a 59 anos 34,4 19 305 30,2 7 889 38,0 11 415
60 anos e mais 24,8 8 521 21,2 3 153 27,5 5 368
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2019.      (1)  A amostra não permitiu estimativas com a precisão desejada 

Proporção de déficit de peso na população é de 1,6%, abaixo do limite de desnutrição

Para a Organização Mundial de Saúde, apenas prevalências de déficit de peso iguais ou superiores a 5% são indicativas de exposição da população adulta à desnutrição. A prevalência de déficit de peso em adultos com 18 ou mais anos de idade foi de 1,6%, (1,7% para homens e 1,5% para mulheres), ficando, portanto, bem abaixo do limite de 5% esperado na população, para indivíduos constitucionalmente magros.

Em quase todos os grupos de idade, a prevalência de déficit de peso dos homens é sempre um pouco mais elevada. A exceção são os idosos (60 anos ou mais): nesse grupo, a prevalência das mulheres é ligeiramente maior (2,9%) que a dos homens (2,2%).

Em 17 anos, a proporção de brasileiros obesos mais do que dobrou

A evolução do perfil antropométrico da população brasileira com 20 anos ou mais de idade pode ser acompanhada a partir das estimativas de prevalência de excesso de peso e de obesidade, da POF (edições 2002-2003 e 2008-2009) e da PNS (edições 2013 e 2019).

Entre a POF 2002-2003 e a PNS 2019, a proporção de obesos na população com 20 anos ou mais de idade saltou de 12,2% para 26,8%. As prevalências de homens e mulheres tiveram evolução similar à essa média, mas a obesidade feminina (de 14,5% para 30,2%) se manteve num patamar mais alto do que a masculina (de 9,6% para 22,8%).

Nesse mesmo período de 17 anos, a proporção de pessoas com excesso de peso na população com 20 anos ou mais de idade no país era menos da metade (43,3%) em 2003 e saltou para um percentual que já vai se aproximando dos dois terços (61,7%) em 2019.

Em 2003, a prevalência de excesso de peso feminina (43,2%) era ligeiramente menor do que a masculina (43,3%), mas as posições se inverteram em 2013 e assim permaneceram em 2019, quando a prevalência feminina chegou a 63,3% e a masculina, a 60,0%. A evolução dessas prevalências está no gráfico a seguir.




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