GOVERNO BOLSONARO: “Novo partido só trará mais problemas a Bolsonaro ”, diz Fernando Collor

Segundo senador, sigla irá começar do zero enfraquecendo o presidente

Trinta anos depois de uma das eleições mais disputadas da história do Brasil, Fernando Collor de Mello, eleito após vencer Luiz Inácio Lula da Silva, olha para trás e consegue enxergar semelhanças, ainda que poucas, com o momento político atual. Na avaliação do hoje senador Collor (Pros-AL), o que lhe atribuiu a vitória foi ter feito uma campanha inovadora ao usar a linguagem da televisão para transmitir uma mensagem de abertura comercial, de modernização, de diminuição do Estado e, sobretudo, de mudanças.

“Eu vi que havia um espaço vazio que poderia ser preenchido exatamente com essa mensagem de mudança”, afirma. Collor foi eleito no segundo turno, em 17 de dezembro de 1989, com 35 milhões de votos, contra 31 milhões de Lula – em 1992, ele renunciaria em meio a um processo de impeachment. O ex-presidente afirma que uma das semelhanças entre aquele pleito e o de 2018 é a maneira de como levar a mensagem à população. Em 89, a novidade foi o uso da televisão, enquanto as redes sociais marcaram a eleição que deu a vitória a Jair Bolsonaro.

“O fato de eu ter sabido me utilizar desse meio para comunicar ao eleitorado as minhas propostas e os projetos é que se identifica um pouco com a campanha de 2018, só que o meio de comunicação, o instrumento, ao invés de ser a televisão, foi a mídia social. Em 2018, por saber utilizar o potencial da mídia social, o novo presidente foi eleito”, afirma. Para Collor, o País saiu polarizado das eleições de 2018 e a postura de Bolsonaro “agrava” a divisão. “O papel dele (Bolsonaro) como chefe da nação brasileira é de reconciliar a sociedade brasileira, e não agravar a divisão que se estabeleceu a partir da eleição que o elegeu”, afirma. O ex-presidente prevê problemas para Bolsonaro pela maneira que ele lida com o Congresso. “Foge um pouco da lógica do que pode dar certo”.

Sobre novo partido do Bolsonaro, Collor diz que irá trazer mais problema ao gestor. “O presidente da República tinha a seu dispor um partido político com 53 parlamentares, a segunda maior bancada. Foge um pouco à minha lógica como um presidente que tem uma base já estruturada de 53 deputados, base em torno da qual ele poderia iniciar a construção de um bloco majoritário que lhe garantisse o apoio parlamentar necessário para governar, abre mão desse partido para se lançar no inesperado. Pela frente ele tem a criação de um novo partido em um ano de eleições municipais em que vai começar do zero, contando com alguns dissidentes dentro do PSL que manifestaram o desejo de ir para essa nova agremiação. Mas é uma nova agremiação que nasce sem fundo eleitoral, sem fundo partidário, sem ter o que oferecer aos deputados que queiram se integrar. Isso gera instabilidade política, gera insegurança. De acordo com o que o futuro venha a nos mostrar, vai causar a ele uma série de dificuldades ainda maiores na construção de uma base parlamentar que ele ainda não possui”.


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