Endividamento dos consumidores de Maceió fica estável em maio

O período de isolamento social, medida adotada pelo governo estadual para o enfrentamento à pandemia do Covid-19 (coronavírus), trouxe uma estabilidade no nível geral de endividamento em Maceió, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Isto porque os indicadores registrados entre os meses de março e maio não apresentaram oscilações em sentido estatístico. Em maio, 70,3% da população economicamente ativa e com acesso ao crédito estava endividada. Em abril, o nível foi de 70,4%, ou seja, um empate técnico que mantém o número absoluto de endividados na casa de 212 mil pessoas. Em termos anuais, comparando maio passado a maio de 2019, o endividamento está 6,82% acima, demonstrando que os consumidores da capital têm utilizado um pouco mais os recursos de crédito para adquirirem bens e quitarem suas contas.

“O lado positivo é que, embora o nível de endividamento tenha se mantido no mesmo patamar, a parcela de pessoas endividadas com contas em atraso e os inadimplentes caíram”, observa Felippe Rocha, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), ao constatar que o volume de consumidores com contas atrasadas teve queda de 5,66% na variação mensal, ficando em 92 mil o número de pessoas nesta situação. Na inadimplência, a queda foi mais expressiva: 16,36%. A variação anual também apresentou recuo, tanto no atraso da contas (-4,28%), quanto na inadimplência (-1,61%).

Apesar da estabilidade, os números preocupam Gilton Lima, presidente da Federação. “Uma população muito endividada traz dificuldade aos empresários, pois inviabiliza os negócios, principalmente neste momento de grande provação para as empresas, já que, mesmo as que estão autorizadas a funcionar, perderam faturamento”, diz, ressaltando que a atividade empresarial é importante para a sociedade, pois gera emprego e renda.

Pesquisa

Na análise do economista, esses quedas refletem a política monetária adotada pelo Banco Central, a qual permite a suspensão das dívidas por até três meses, trazendo efeitos positivos para o mês de maio. “Não podemos nos esquecer, também, os efeitos da renda básica emergencial em Maceió. Em abril, o cadastro para o auxílio emergencial foi contemplado por cerca de 76.080, fazendo circular R$ 66 milhões e um valor médio de R$ 1.133,59, que é do salário mínimo vigente. Em maio, esse valor foi ligeiramente maior e ajudou diversas famílias a manterem as contas em dia e, até, a pagarem contas atrasadas”, diz Felippe.

O cartão de crédito foi o meio utilizado por 90,6% dos consumidores na aquisição de dívidas, em maio; alta de 3,8 pontos percentuais (p.p.) em relação a abril (86,8%). O uso dos carnês (16,3%) e o financiamento de casa (4,5%) foram outras ferramentas apontadas. “Como os consumidores podem elencar seus motivos para contraírem dívidas e utilizarem mais de um meio utilizado, essa conta não precisa fechar em 100%”, explica.

Dentre os consumidores com contas em atraso, 43,4% afirmaram que existem outras pessoas na residência em mesma situação, enquanto 56,4% disseram que não há outro membro da família passando por isso. Entre os inadimplentes, 7,4% informaram ter condições de quitarem totalmente suas dívidas em atraso, um acréscimo de 1,6 p.p. em relação a abril. Já 21,6% pretendem renegociar suas dívidas, pagando-as parcialmente (aumento de 3,2 p.p.), enquanto 55,6% afirmaram não ter condições de pagar.

O tempo médio de pagamento das contas em atraso é de 75,4 dias; 1 dia a menos do que o registrado em abril. O tempo que os consumidores passam comprometidos com dívidas, na média, é de 6,2 meses, mantendo 27,3% da renda comprometida.




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