ELEIÇÕES 2020: pandemia, compra de votos e fake news afetaram campanhas

Especialista em estratégia revela dificuldades durante o processo eleitoral

As eleições municipais terminam neste domingo (29), com a conclusão do segundo turno em 57 cidades, incluindo 18 capitais. Ao todo, 23 partidos ainda permanecem na disputa pelas prefeituras espalhadas pelas cinco regiões do país.

Com o término da apuração, que tem início às 17h, o primeiro pleito brasileiro realizado em meio à uma pandemia chegará ao fim. O isolamento social e os protocolos de segurança, aliás, foram apenas alguns dos problemas que candidatos e suas equipes em todo o Brasil tiveram que enfrentar.

“As maiores dificuldades nessa eleição foram: enfrentar um período de campanha na pandemia, no qual as pessoas não estavam nas ruas, tendo em vista que houve uma abstenção histórica concentrada na classe média, que é tradicionalmente majoritária no voto de opinião, e as mentiras que foram fabricadas sobre todos os candidatos, além falta de financiamento para quem não está na liderança do partido, entre outras razões”, explicou Paulo Loiola, mestre em gestão de políticas públicas pela FGV e estrategista político da Baselab, consultoria especializada em campanhas progressistas.

Loiola, que no Rio de Janeiro trabalhou com as vereadoras eleitas Tainá de Paula (PT) e Thais Ferreira (PSOL), também aponta que a disseminação de notícias falsas seguiu como uma ameaça no pleito deste ano. O Facebook, por exemplo, informou ter removido 140 mil publicações mentirosas durante o primeiro turno. “As fake news foram e seguirão sendo uma barreira para quem não tem estrutura ou conhecimento técnico para lidar com elas. E cabe aqui dizer que o comportamento dessas notícias mentirosas é imprevisível, pois algo pode viralizar a qualquer momento e novos ataques surgem o tempo inteiro”, conta.

De acordo com os especialistas da Baselab, a crise financeira também facilitou a compra de votos, crime eleitoral que foi investigado e gerou prisões em diversos municípios do país durante o primeiro turno.

Combate à desinformação

Para enfrentar as notícias falsas que afetaram as eleições, os especialistas em política criaram diversas estratégias. Em Cabo Frio/RJ, onde atuou na campanha do prefeito eleito José Bonifácio (PDT), Loiola afirma que foram necessárias algumas medidas. “Formamos uma rede de mobilizadores, unida a um time de advogados dedicado às respostas, com o apoio de uma análise política, além de uma produção de conteúdo rápida para desmentir as fake news assim que surgiam e um monitoramento constante de mídias e grupos de WhatsApp”, conclui.

Sobre a Baselab

A Baselab é uma rede de profissionais eleitorais progressistas que são capacitados e recebem ferramentas e relatórios para gerir campanhas vencedoras, com atuação em análises eleitorais do contexto político nacional e ideias de posicionamentos. Disponibilizam gratuitamente em seu website: um livro gratuito que foi escrito em parceria com a RAPS sobre campanhas eleitorais inovadoras e um newsletter diário via WhatsApp. Em seu canal no YouTube, publicam vídeos de aulas e cursos gratuitos. Para mais informações, acesse: https://www.baselab.cc/




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