Educação realiza mapeamento em Maceió para avaliar o nível de alfabetização dos alunos da rede

O mapeamento da base alfabética está sendo desenvolvido para avaliar o nível de alfabetização dos estudantes da rede municipal de Maceió. Ao todo, foram analisados os dados de 66 escolas, por meio do acompanhamento técnico pedagógico realizado nas instituições, este estudo é contínuo e será atualizado mês a mês.

A amostra contou com um total de 19 mil alunos do 1º ao 5º ano e está sendo realizada pela Coordenação do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed). O mapeamento é específico na identificação do nível da base alfabética dos estudantes, com incentivo a alfabetização que já existe na rede, promovendo espaços de estímulo à leitura por meio de bibliotecas e feiras literárias. A partir do segundo semestre deste ano uma nova classificação será realizada nas escolas e novos quadros comparativos serão apresentados.

Segundo a coordenadora do Ensino Fundamental, Juliane Medeiros, por meio desse estudo contínuo, será possível obter melhorias significativas no desenvolvimento alfabético dos alunos.

“Estamos fazendo um acompanhamento mês a mês e daqui a algum tempo vamos poder, junto à escola, observar se houve evolução ou não no nível que ele se encontra. A partir daí, podemos orientar, intervir e ajudar as escolas e as equipes pedagógicas para que ocorra essa evolução do desenvolvimento e tenhamos ao longo do ano melhorias sobre o nível de base alfabética dos estudantes e eles possam concluir o ano com sucesso nessa parte de conhecimento”, explicou Juliane.

A avaliação nas escolas é feita por meio de um formulário, encaminhado via e-mail institucional, onde os professores e coordenadores respondem com as informações de cada turma. Além disso, um técnico do acompanhamento pedagógico se reúne com a equipe da escola para conversar sobre o andamento da alfabetização dos alunos.

Juliane, explica ainda, que uma das metas é zerar a porcentagem de alunos do 5º ano em nível pré-silábico de alfabetização.

“Nós temos na rede, estudantes do 5º ano que estão em base alfabética no nível de pré-silábico. Então a ideia é, se com esses alunos eu ainda tenho 7% de estudantes que estão nesse nível, eu preciso daqui a três meses mostrar um resultado no qual eu diminua essa porcentagem até ser zerada. Vamos trabalhar para não ter estudantes do 5º ano sem a fase de alfabetização concluída”, pontuou.

Dificuldades de aprendizagem causadas pela pandemia

Devido ao período de isolamento social causado pela Covid-19, alguns alunos do 2º ano não tiveram a oportunidade de estar na Educação Infantil, por isso, estão entrando no Ensino Fundamental sem esse momento essencial para o desenvolvimento.

De acordo com a coordenadora geral do Ensino Fundamental, Juliane Medeiros, os alunos precisam estar alfabetizados até o final do 2º ano. No entanto, os estudantes do 3º, 4º e 5º anos são os que mais possuem mais dificuldades e apresentam lacunas na aprendizagem devido a pandemia, são as crianças que estavam a dois anos no remoto, por isso ainda há alunos que estão atrasados.

Por esse motivo, o mapeamento vem atuando fortemente para que este cenário seja modificado e no final do ano resultados melhores sejam apresentados. Apesar disso, alguns alunos já estão na fase alfabética colaborando com o desenvolvimento do restante da turma ao longo do tempo.

Juliane reforça as práticas que são desenvolvidas pelos professores para auxiliar na aprendizagem desses alunos, como atividades direcionadas para cada nível de alfabetização.

“Os professores dentro das suas salas de aula classificam os estudantes, identificam, fazem atividades direcionadas para o nível que eles estão, pois um exercício para um menino do nível pré-silábico não é o mesmo do silábico alfabético. Existe a possibilidade de fazermos na nossa rede agrupamentos flexíveis que é quando a escola se organiza e dois dias na semana troca os meninos de turma para poder fazer atividades direcionadas só para aquela turma, naquele nível”, explicou.

Desenvolvimento interdisciplinar

Dentre as escolas que fazem parte da rede, a Nosso Lar, localizada no bairro da Ponta Grossa, desenvolveu estratégias de alfabetização baseada na interdisciplinaridade, com toda a comunidade escolar, para que os alunos possam finalizar seus estudos com fluência na escrita e na leitura.

Segundo a diretora da escola, Gilda Verbenia, as atividades desenvolvidas foram divididas em diagnóstico do grau de alfabetização dos estudantes, desenvolvimento das práticas nas turmas, com dinâmicas e temáticas inseridas em um contexto interdisciplinar. Além de ser transdisciplinar, o conteúdo é levado para a prática no dia a dia e alguns dos temas trabalhados em sala de aula são trazidos do convívio familiar dos estudantes.

Gilda conta que a alfabetização dos alunos sempre foi um dos enfoques da escola, por causa dos pais que em sua maioria são analfabetos.

“Desde o início da nossa gestão traçamos estratégias de alfabetização, é a nossa meta essencial, principalmente na comunidade que estamos inseridos, pois o perfil dos nossos alunos são de pais analfabetos que nunca frequentaram a escola e mesmo os que frequentaram não foram alfabetizados. Diante deste contexto traçamos como meta principal a alfabetização, e fizemos estratégias como toda a comunidade escolar de como poderíamos alcançá-la”, explicou a diretora.

Os temas de estudos são desenvolvidos dentro da proposta da interdisciplinaridade, com subtemas que permitem aos professores o aprofundamento das atividades como poesias e produção de texto.

“Quando trabalhamos uma temática, integramos os componentes curriculares, colocamos todos os componentes e saímos puxando, não é uma disciplina isolada, a gente trabalha com a integração dos conteúdos. Por exemplo, se vamos trabalhar a temática do meio ambiente inserimos textos, poemas, aí trabalha a parte escrita, linguagem oral, produção de texto. Tivemos um avanço muito grande e ganhamos tempo na organização das disciplinas”, explicou a professora Tania da Silva Pereira.

A escola atende cerca de mil alunos que são inseridos nesse contexto de alfabetização, uma delas é Clara da Silva, que no quarto ano estava completamente alfabetizada e até ganhou um curso de soletração em primeiro lugar.

“Agora no quinto eu já estou lendo até papel no pátio. Quando alguém não sabe ler eu vou ajudando a juntar as sílabas e algumas coisas, porque quem não sabe, não é deixar de lado, é simplesmente ajudar. É importante aprender a ler porque a pessoa vai se sentir bem”, contou a aluna.

A coordenadora da Escola Nosso Lar, Elísia Albanita, conta que esse trabalho de alfabetização é a porta para os alunos adquirirem novos conhecimentos.

“Nós construímos uma casa pelo alicerce e a alfabetização é isso. Sabemos que esse conhecimento não vai ser acomodado agora, é a longo prazo. Então, o processo de alfabetização é a porta aberta para que esse leque de conhecimento seja acomodado daqui a uns anos e tenha esse processo da evolução da aprendizagem. O nosso Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) era muito baixo, tínhamos alunos do 5º ano que não eram letrados, não eram alfabetizados e criamos esse projeto de alfabetização. Saber que os nossos alunos estão no 5º e agora letrados é uma celebração”, finalizou Elisia.

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