É preciso ter coragem para enfrentar o gigante. Por que as autoridades de Maceió têm medo da Braskem?

A interdição do cemitério Santo Antônio, no bairro de Bebedouro, publicada no diário oficial de segunda-feira (19) é mais um grande tapa na cara de milhares de moradores e empreendedores que vêm suas casas e estabelecimentos afundarem pela predatória extração de sal-gema realizada pela Braskem.

A simples ação de interditar um cemitério, administrado pela prefeitura, em nada contribui para a urgente indenização de todos os afetados dos bairros de Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Limita-se a desrespeitar, ainda mais, aqueles que possuem seus familiares ali enterrados.

Segundo Neirevane Nunes, moradora de Bebedouro: “Se eles não dão apoio aos vivos, imagina aos mortos. Temos o jazigo da nossa família, desde 1964. Meu avô, foi o primeiro a ser sepultado, depois minha avó e mais dois primos também. Nessa situação de destruição total, a gente exige o mínimo de respeito à memória de nossos entes queridos”.

A luta por dignidade e indenizações é antiga. Israel Lessa, integrante do movimento “Luto por Bebedouro” esclarece que “as famílias querem, respeito pelos mortos, querem um local para os seus entes queridos, além das necessárias indenizações. Há mais de 3 meses, foram encaminhados diversos ofícios para a Prefeitura de Maceió, Defesa Civil e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, órgão que administra o cemitério de Bebedouro a fim de que fossem adotadas as medidas cabíveis, visando minimizar o sofrimento dessas famílias. Infelizmente, a única reposta foi a omissão”.

Além dos familiares dos mortos do Cemitério Santo Antônio, padecem centenas de empresas que, ainda, resistem em continuar vivas. Conforme Gilberto Martins, dono do Super Pilar, tradicional supermercado do bairro do Pinheiro: “Hoje eu vendo menos que 30% do que vendia. Cheguei a ter mais de 50 empregados, mantenho apenas 9. Os acordos não atendem as pessoas jurídicas. Os empresários deveriam ter sido ouvidos. Não sei o que vou fazer. Aqui sempre foi meu sustento”.

Parece que tamanho sofrimento não comove a Prefeitura, a Câmara de Vereadores e boa parte dos candidatos ao pleito de novembro que, simplesmente, omitem de seu discurso o nome da empresa responsável por tamanho sofrimento. Preferem tratar de temas bem menos espinhosos e que não enfrentam grandes interesses econômicos, como pintura de vias públicas, instalação de equipamentos de musculação em praças e outras amenidades.

Israel Lessa destaca que todas as conquistas alcançadas até agora, só foram concretizadas graças às mobilizações, petições, matérias, vídeos, e todo o trabalho com moradores e empreendedores da região: “Nossas petições e o laudo técnico elaborado por um engenheiro a nosso pedido foram fundamentais para a recente inclusão de 2.200 imóveis do bairro de Bebedouro no Mapa de Setorização. É uma luta contra um gigante. Há muito trabalho a fazer. Dia 26 de outubro faremos uma grande manifestação na praça Lucena Maranhão reivindicando a conclusão dos estudos e a inclusão do Flexal de Baixo e de Cima no mapa de risco crítico, bem como, agilidade nas indenizações em todas as regiões afetadas.”




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