Depois de engajamento social, Bebedouro é incluído no mapa de criticidade

Documento recomenda a realocação total de 1.706 imóveis que se encontravam em área de monitoramento

O bairro de Bebedouro foi incluído no Mapa de Setorização de Danos e de Linhas de Ações Prioritárias. O novo mapa, com uma atualização parcial, foi entregue esta semana pela Defesa Civil de Maceió e a Defesa Civil Nacional, com o apoio técnico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), ao Ministério Público Federal (MPF). O documento recomenda a realocação total de 1.706 imóveis que se encontravam em área de monitoramento.

“As instituições contratadas pela Braskem mostraram o que todos os moradores de Bebedouro já sabiam: índice elevado de subsidência e futuros colapsos de minas com impacto na superfície. Esta é uma grande vitória, mas nossa luta continua. Cada imóvel precisa ser selado e cada morador ou empreendedor indenizado. É triste saber que vamos ter que sair, mas agora há o alívio de que essas áreas foram incluídas para indenização”, afirma Israel Lessa, uma das lideranças dos movimentos de moradores das áreas atingidas pela atividade de mineração.

A versão 3 do Mapa de Setorização de Danos recomenda a realocação total de 1.706 imóveis que se encontravam em área de monitoramento, mais a inclusão de nova área no Mapa com 119 imóveis localizados em Bebedouro (que estavam fora do mapa), totalizando 1.706 imóveis para realocação. A nova área em Bebedouro está sendo incluída já com recomendação de realocação devido às evidências de alagamento e feições em decorrência da subsidência que afeta a região.

A ação aconteceu depois que o Movimento Luto por Bebedouro encaminhou diversos documentos e abaixo-assinados para o Ministério Público Federal (MPF) e à Defesa Civil, fez manifestações, ofícios, diversas lives e vídeos nas redes sociais mostrando a situação dos moradores e muita pressão social. “O movimento conseguiu antecipar as visitas técnicas, que deveriam acontecer entre novembro e dezembro, e foram realizadas entre julho e agosto, mostrando que praticamente todos os imóveis do bairro tinham rachaduras e fissuras similares às encontradas em outros bairros, como Pinheiro, Mutange e Bom Parto, evidências de que se tratava da mesma causa: a mineração da Braskem”, pontua.

A Braskem contratou três empresas para realizar estudos, que mostraram que a nova área incluída no mapa tinha recomendação de realocação. As Defesas Civis Municipal e Nacional, com o apoio técnico da CPRM, ajustaram o polígono e recomendam realocação de novas áreas com base nos estudos e nas evidências apresentadas também durante o monitoramento contínuo da área afetada, realizado em Bebedouro desde junho deste ano.




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