Delegado confirma que investiga políticos no caso Marielle


O delegado Giniton Lages, responsável pela investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), confirmou nesta quarta-feira, 22, para uma comissão de deputados federais que, de fato, existem pelo menos duas linhas de investigação que envolvem políticos do Rio. Segundo Lages, a execução de Marielle é o caso mais complexo, difícil e desafiador de sua carreira.

A confissão foi feita aos deputados federais Chico Alencar (PSOL), Jean Wyllys (PSOL), Glauber Braga (PSOL) e Jandira Feghali (PCdoB). Eles integram a comissão da Câmara que acompanha as investigações do crime e estiveram nesta quarta reunidos com policiais e procuradores que trabalham no caso.

Segundo o deputado Chico Alencar contou ao “Estado”, Lages confirmou aos parlamentares que existem linhas de investigação envolvendo políticos do Rio, embora não tenha querido dar detalhes, informa o Terra.

Uma dessas linhas de investigação, que também foi confirmada no início deste mês pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), envolve a participação de três parlamentares do MDB envolvidos na Lava Jato: Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo. De acordo com essa linha, a prisão dos parlamentares teria sido possível por conta de um acordo firmado entre Freixo e o Ministério Público e a morte da Marielle teria sido uma vingança. Os três negam as acusações.

Outra linha envolve o miliciano Orlando Curicica, que está preso, e o vereador Marcelo Siciliano. Segundo essa hipótese, o crime teria sido encomendado pelo vereador porque as ações de Marielle estariam prejudicando os negócios da milícia na zona oeste. Siciliano e Curicica negam as acusações.

“Ele nos falou que foi o caso mais sofisticado que já teve de apurar em vinte anos de profissão, que tudo foi feito com muito cuidado para não deixar pistas e contou com uma rede de cumplicidade muito grande”, contou Alencar.

“Foi um crime sofisticado, muito profissional, a ponto de os assassinos terem ficado horas a fio dentro do carro.” Ainda segundo Alencar, o delegado admitiu que nunca uma investigação policial esteve cercada de tanto sigilo, mas que isso se deve à complexidade do caso.

“Apesar disso, o delegado disse que está otimista, que a investigação está avançando”, disse Alencar. “Mas não quis fixar prazos.” Chico Alencar contou que o delegado assegurou que o caso continua sendo prioridade da polícia e que tem mais de vinte homens trabalhando na investigação.

“Ele contou também que acha que a federalização da investigação seria prejudicial, seria um atraso”, contou. “Mas que a Polícia Federal está colaborando.” Chico Alencar considerou o encontro positivo. “Senti firmeza”, disse. “Senti que, no mínimo, eles estão sentindo a pressão e a cobrança.”

23/08/2018