Davi Maia critica construção de barragens ao longo do Canal do Sertão

Recorrente nas discussões do plenário da Casa, o Canal do Sertão voltou a ser debatido durante a sessão ordinária desta quinta-feira, 10. O assunto foi abordado pelo deputado Davi Maia (DEM), que destacou o parecer apresentado ontem, pelo Ministério Público de Alagoas, em concordância com seu pedido de paralisação da construção de 25 barragens no Canal. “O Governo de Alagoas pretendia gastar mais de R$ 21 milhões na construção das barragens, sem estudo de impacto e utilizando uma tecnologia muito antiga. Além disso, a liberação dos recursos teve como base apenas num pré-projeto tecnicamente fraco”, assegurou o parlamentar.

De acordo com Maia, no Canal do Sertão já existe grande quantidade de água armazenada. “O problema não é o volume de água, o grande problema é a distribuição de água e investimento em irrigação, que não existem”, disse, observando que a maior parte do solo do Sertão é salino. “Se o governo construir essas barragens vai pegar uma água potável e limpa do Rio São Francisco e salinizá-la, impedindo que seja usada para o consumo humano”, argumentou o democrata. “O que a gente quer é que o governo gaste esses R$ 20 milhões com distribuição de água e irrigação”, ressaltou Davi Maia.

O deputado destacou ainda que o Canal do Sertão é a maior obra de infraestrutura hídrica de Alagoas. Foi projetado para se estender por 250 km e beneficiar 42 cidades. Já foram gastos mais de R$ 2,5 bilhões e, ainda assim, muitas comunidades permanecem sem acesso à água. “Volto a dizer: é dinheiro evaporando, água evaporando e o sertanejo passando sede a 50 metros do Canal do Sertão. Pessoas e animais morrendo de sede e a agricultura sem produzir”, alertou.

Em apartes, os deputados Inácio Loiola (PDT) e Gilvan Barros Filho (PSD) se associaram ao pronunciamento de Maia, destacando a importância de discutir o tema. “O Canal do Sertão tem 28 anos de existência, teve início em 1992, e até o presente momento não mostrou para que veio”, disse Loiola, concordando com Davi Maia, no que diz respeito a construção de barragens. “Não vejo necessidade na construção de barragens. Se nós não sabemos, até hoje, usar e explorar o Canal do Sertão, essas barragens vão servir para quê?”, questionou o pedetista.

Gilvan Barros Filho observou que o índice pluviométrico do Sertão é inferior à evaporação da água durante o ano, conforme estudos. “Não podemos deixar essas barragens serem construídas de forma inadequada, em vão, sem primeiro fazer o dever de casa, que é dar assistência técnica aos ribeirinhos do Canal do Sertão”, declarou o parlamentar, observando que os recursos para a construção das barragens deveriam ser revertidos para a capacitação dos pequenos agricultores e aprimoramento do solo da região.




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