Chico Buarque, Francis e o “Arapiraca”. Futebol e Música (parte 5)

Chico Buarque, Francis e o “Arapiraca”. Futebol e Música (parte 5)

Os compositores da música “E Se..” Chico Buarque e Francis Hime

A canção “E Se…” é um dos sambas do compositor e cantor Francis Hime em parceria com o mito Chico Buarque, no qual os autores sugerem sucessivas perguntas loucas na letra.

Neste sambinha, os dois autores revelam-se questionando coisas supostamente impossíveis de se pensar no tempo em que foi composta, ali no início dos anos 1980. Vale destacar neste rol os versos, por exemplo, (…) “E se o oceano incendiar;; E se cair neve no sertão; E se o urubu cocorocar…”

Mas um verso em particular desta composição nos interessa, uma vez que se trata de música e futebol, assim como refere-se, também, a um clube cá das Alagoas: o ASA de Arapiraca.

Freitas, ídolo do ASA de Arapiraca nos anos 1970 e 1980: Foto Capa: Ricardo Lêdo

Quando Francis e Chico compuseram a música certamente pensaram em descrever situações quase impossíveis de acontecer. E a incredulidade de Francis e Chico aparecem com todas as letras em relação ao Alvinegro alagoano no verso “E se o Arapiraca for campeão?”, como que seria uma coisa impossível de isto acontecer. Impensável.

Observe-se ainda que a composição crava o ASA ainda como “Arapiraca”, pois era assim que os de fora de Alagoas tratavam o time arapiraquense naquela época, pelo pouco conhecimento que tinham do futebol alagoano e, em particular, que existisse uma cidade no Brasil com o nome de Arapiraca e, consequentemente, um time de futebol.

Parece que a música deu sorte ao time de Arapiraca, que já foi campeão alagoano em diversas oportunidades a partir de então, inclusive tornando-se definitivamente conhecido nacionalmente ao eliminar o poderoso Palmeiras-SP do torneio Copa do Brasil, dirigido pelo então técnico Vanderley Luxemburgo, ex-seleção brasileira.

ASA deixou o técnico Vanderley Luxemburgo com mão na cabeça ao desclassificar o poderoso Palmeiras de uma competição nacional. Foto: Torcida Jovem do Palmeiras

O fato teve uma repercussão enorme no País e foi o ápice da fama do ex-Arapiraca e agora respeitado ASA. Em suma, foi o que se chama de divisor de águas para o time da terra de Manoel André.

Parabéns ao povo de Arapiraca que provou que nada é impossível. E que nos desculpem Francis Hime e o grande Chico Buarque, mas a música vale somente pelo contexto de uma época bem distante.

Aqui abaixo a letra e a música cantada por um de seu autores:

“E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubu cocorocar
E se o botafogo for campeão
E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar
E se o pantanal virar pirão
E se o Pão-de-Açúcar desmanchar
E se tiver sopa pro peão
E se o oceano incendiar
E se o Arapiraca for campeão
E se a meia-noite o sol raiar
E se o meu país for um jardim
E se eu convidá-la para dançar
E se ela ficar assim, assim
E se eu lhe entregar meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então de mim”

Até o próximo post!!!

Wellington Santos

 

Wellington Santos

Wellington Santos milita no jornalismo desde 1994, quando iniciou a carreira como revisor do extinto O JORNAL. Daí formou-se na área pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e teve passagens como repórter e editor em jornais como Gazeta de Alagoas (por duas vezes), A Notícia e Primeira Edição. Atualmente atua como repórter no Jornal Tribuna Independente e exerce ainda a função de assessor de Comunicação desde 2003 no Governo do Estado. Como repórter esportivo, foi correspondente e colaborou para o Portal nacional Lance! e rádios do eixo Sul/Sudeste, além de colaborar para o Canal Esporte Interativo. Como reconhecimento ao trabalho desenvolvido, foi premiado duas vezes como repórter esportivo no Prêmio Braskem de Jornalismo em 2013/2014, e em 2016 com a melhor matéria no Jornalismo Impresso na editoria Saúde. Em 2012, foi à final do Prêmio Nacional Abdias Nascimento, realizado no Rio de Janeiro, com reportagem sobre os 100 anos do Quebra de Xangô em Alagoas.

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