Centros de Atenção Psicossocial (Caps) mudam vidas de usuários em Maceió

Atividades terapêuticas e artísticas fortalecem o cuidado humanizado de usuários em saúde mental

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de Maceió são unidades especializadas em saúde mental para tratamento e reinserção social de pessoas com transtorno mental grave e persistente. Os Centros oferecem um atendimento interdisciplinar, composto por uma equipe multiprofissional que reúne médicos, assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras, entre outras especialidades.

A Rede de Atenção Psicossocial do Município conta com cinco destas unidades – Caps Dr. Sadi Feitosa de Carvalho (Bebedouro), Caps Rostand Silvestre (Jatiúca), Caps Noraci Pedrosa (Jacintinho), Caps Infantojuvenil Dr. Luiz da Rocha Cerqueira (Serraria) e o Caps AD (Álcool e outras drogas) Dr. Everaldo Moreira (Farol). O trabalho desenvolvido nessas unidades tem contribuído para modificar a vida de diversas pessoas que necessitam de assistência em saúde mental.

Uma dessas pessoas é Míriam Laurindo, usuária do Caps Noraci Pedrosa há 10 anos. Sob os cuidados da equipe de profissionais do Caps, a usuária relata a mudança que sentiu em sua vida. “Antes de eu ter problemas mentais, eu tinha muitos amigos, mas depois que eu vim para cá, e todos me deixaram de lado, mas aqui eu encontrei novos amigos e uma segunda família. É como se o Caps fosse um jardineiro. Eu me sentia uma planta murcha e com os cuidados deles, eu pude voltar a crescer e florescer”, revela.

Míriam Laurindo, usuária do Caps Noraci Pedrosa. Foto: Ana Cecília – Ascom/SMS

Durante seu tratamento, Míriam participa de diversas atividades terapêuticas. “Eu gosto muito do coral Voa Voa e também faço aulas de capoeira, zumba e oficinas terapêuticas. Isso melhorou meu tratamento, pois eu era muito fechada no meu mundo e o Caps me deu liberdade, como um passarinho para voar”, comemora a usuária.

Rita Pedrosa é gerente do Caps Noraci Pedrosa e comenta sobre os benefícios que as atividades artísticas realizadas no Caps proporcionam aos usuários em tratamento. “Uma das nossas atividades mais importantes é o coral Voa Voa, que existe há sete anos e que conta com a participação de muitos usuários e é um momento de superação para eles, de felicidade, de realização, de aumento de autoestima. Essa inserção cultural faz muita diferença para eles”, destaca.

Míriam Laurindo (usuária do Caps), Rita Pedrosa (gerente do Caps Noraci Pedrosa) e Tiago Camilo (usuário do Caps). Foto: Ana Cecília – Ascom/SMS

A gerente cita ainda as oficinas de geração de renda, realizadas com os usuários em parceria com os profissionais. “São fabricados produtos diversos, como panos de prato, tapetes, quadros, bonecos. Com isso, eles se sentem muito úteis e podem ganhar o dinheiro deles. Sempre incentivamos os usuários a continuarem comprando os produtos e divulgando”, conta Rita Pedrosa, gerente do Caps Noraci Pedrosa.

Arte como forma de expressão

Outra importante iniciativa realizada nos Caps é o projeto Luz Refletida, com oficinas de pintura e fotografia. A atividade possibilita aos usuários o aprendizado de técnicas de fotografia com finalidade terapêutica e ocupacional, além da expressão de suas ideias e histórias pessoais.

Rose Dias, responsável pelas oficinas de fotografia, conta que os participantes das oficinas, que são realizadas uma vez por semana em todos os cinco Caps, aprendem técnicas fotográficas, despertam o olhar, ampliam a observação e a concentração. “O resultado desse trabalho é maravilhoso. Os usuários se sentem produtivos e ativos”, comenta.

Já as oficinas de pintura do projeto são comandadas por Hilda Moura, assistente social do Caps Sadi Carvalho e artista plástica. Durante as atividades, a profissional proporciona as primeiras aproximações com produções artísticas de grandes gênios da arte e faz releituras de suas obras.

“Diversas experiências apontam que a arte inserida nesse processo representa cura e transformação. Temos aqui muitos usuários que se revelaram grandes artistas, seja desenhando, pintando ou fotografando: essa é a saúde mental que nós defendemos”, ressalta Hilda Moura.

Ana Cecília da Silva / Ascom SMS

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