Candidato governista Lenín Moreno lidera eleições presidenciais no Equador

Com 87,2% das urnas apuradas, Moreno tem 39,08% dos votos válidos. Para vencer no primeiro turno, são necessários 40% dos votos válidos e diferença de 10 pontos sobre segundo candidato.

O candidato governista de esquerda, Lenín Moreno, lidera, segundo os primeiros resultados oficiais, a eleição presidencial realizada neste domingo (19) no Equador.

Com 87,2% das urnas apuradas, Moreno tem 39,08% dos votos válidos, seguido de Guillermo Lasso, com 28,28% dos votos. Para vencer no primeiro turno, Moreno requer 40% dos votos válidos e uma diferença de dez pontos sobre o segundo, de acordo com o jornal “El Comercio”.

Após conhecer o resultado das pesquisas, Lenin Moreno comemorou diante dos simpatizantes do movimento Aliança País (AP) em um conhecido hotel do norte de Quito.

“Vencemos as eleições por lei justa (…) Mais tarde, estarei atento aos resultados definitivos que dê o Conselho Nacional Eleitoral”, exclamou Maduro em meio a aplausos.

Moreno apontou que se deve “ganhar com humildade e perder com dignidade” e acrescentou que espera essa reação “por parte do candidato perdedor”.

“Por nossa parte, ganhar com humildade, dizer que temos sempre estendida a mão para aquele que estiver disposto a cooperar com os grandes objetivos nacionais: a eliminação de pobreza extrema, dignidade para todo o povo equatoriano, saúde para todos, habitação para todos”, apontou.

Simultaneamente, no Centro de Convenções de Guayaquil (sudoeste), capital econômica do país, o conservador Lasso gritou eufórico: “Há segundo turno”.

Nessas eleições-gerais também são escolhidos o vice-presidente, 137 deputados e cinco representantes no Parlamento Andino.

Modelos antagônicos

A disputa eleitoral esteve dominada por situações que sacodem a economia do Equador: queda do petróleo, desvalorização das moedas vizinhas, fortalecimento do dólar e altíssimos custos pelo terremoto de abril de 2016.

Esta “tempestade perfeita”, segundo o governo, é para a oposição uma possibilidade de atiçar o descontentamento das classes médias e baixas, que falam de esbanjamento e má gestão.

Mas, sobretudo, coloca em jogo os modelos opostos. Por um lado, a continuação de Moreno, com um sistema que combina um grande gasto social com altos impostos e elevado endividamento. Por outro, a mudança de Lasso e Viteri, que procuram fomentar o investimento estrangeiro e a diminuição dos impostos para estimular o consumo e a produção nacional.

Um convidado inesperado também apareceu: a corrupção, com casos como o da petroleira estatal Petroecuador, que envolveu um ex-ministro de Correa, e os dos supostos subornos da empreiteira Odebrecht a funcionários equatorianos, contabilizados em US$ 33,5 milhões. Os eleitores dirão se são “distorções” da campanha, como afirma Correa.

Adeus a Correa

Muitos equatorianos avaliam a saída de Correa após 10 anos de governo socialista como sua “revolução cidadã”. Personalista e confrontador, carismático e polêmico, este economista de 53 anos formado nos Estados Unidos e na Europa liderou o período mais estável da história recente equatoriana, em parte graças à bonança petroleira com a qual modernizou o país e elevou seus índices de desenvolvimento.

Sua saída, em meio a uma delicada situação econômica, deixa o governo desgastado e a oposição sem seu grande inimigo.

Teste para a esquerda

Esta eleição também supõe um novo teste para a esquerda da América Latina, após a guinada da direita no Brasil, Argentina e Peru no último ano.

Os equatorianos poderão frear o que Correa define como a “restauração conservadora” na região. Mas, se não o fizerem, o Equador deixará sozinha a Venezuela de Nicolás Maduro e a Bolívia de Evo Morales.

g1

20/02/2017

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