BARRACO NA CÂMARA – Teca Nelma diz ter sido ameaçada por Fábio Costa; delegado rebate e alfineta Renan Calheiros

“A minha voz não será calada por homem nenhum”, disse a vereadora Teca Nelma após ser ameaçada de ter sua fala censurada dentro da Câmara Municipal de Maceió, a pedido do vereador Fábio Costa. O fato aconteceu em meio a discussão da concessão do Título de Cidadão Honorário, posta em pauta em regime de urgência, de última hora, sem aviso prévio aos vereadores, na sessão desta quarta-feira (23).

Ao proferir seu voto, com direito a justificá-lo, Teca Nelma afirmou que “sem dúvidas e sem medo, eu digo não ao presidente genocida”. Em seguida, o vereador Fábio Costa informou que solicitaria ao presidente da Câmara a censura da fala de Teca Nelma e, mais uma vez, colocou em dúvida os conhecimentos da vereadora ao questionar que “talvez ela não saiba qual o significado da palavra genocida”.

“Mais uma vez eu sou atacada dentro dessa casa pelo meu gênero. Mais uma vez o meu conhecimento está sendo colocado em cheque. Não foi a primeira vez que passo por isso, como vereadora. Sempre que eu profiro algo que não é comum aceito pelos vereadores homens dessa casa, a primeira palavra que eles falam é ‘não sei se a senhora sabe do que está falando’. Eu vim aqui eleita pelo povo, democraticamente. Eu tenho liberdade de expressão para proferir os meus posicionamentos. E não vai ser com ameaças de nenhum vereador que eu vou ter a minha fala cerceada”, disse a vereadora.

Teca Nelma disse aos pares que não estamos mais no período de ditadura militar e reforçou que tem imunidade para proferir o seu discurso. “Nós podemos discordar em diversas coisas, mas eu jamais pedi pra ninguém aqui ser censurado. Fico triste em 2021 ainda estar aqui sendo pedido censura à minha fala. Eu tenho imunidade para proferir o meu discurso. Eu me sinto mais uma vez atacada nessa casa, por ter meu pedido de fala cerceado. Isso não vai acontecer. Eu vou estar sempre aqui defendendo a população de Maceió, que merece muito mais do que a votação desse título. E aqui, contem comigo, porque essa voz não vai ser calada por homem nenhum”, reafirmou a vereadora.

O vereador Fábio Costa foi além e afirmou que irá oficiar à presidência da república e a Advocacia Geral da União, sobre a fala de Teca Nelma. “Vou solicitar a íntegra da fala dela (…) e também vou oficiar o Conselho de ética daqui da Câmara, para saber se de repente a vereadora Teca Nelma não incorreu em quebra de decoro ao usar essa infeliz expressão na sessão de hoje”.

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Alguns vereadores saíram em defesa da vereadora Teca Nelma e reforçaram que ela tem imunidade para se expressar. “Não podemos permitir que isso se torne uma caça às bruxas”, disse o vereador Dr. Cléber Costa.
Na primeira discussão, 6 vereadores votaram contra o título, 17 a favor e 2 se abstiveram do voto. Em seguida, o vereador Leonardo Dias solicitou sessão extraordinária para segunda discussão da matéria, onde foram mantidos os votos.

O delegado e vereador Fábio Costa se defendeu nas redes sociais. “Vi com surpresa a veiculação de uma notícia de que eu teria ameaçado uma vereadora durante a sessão de ontem na câmara. Óbvio que não fiz ameaça alguma, apenas invoquei o artigo 292 do regimento interno da Câmara Municipal pelo fato de a vereadora ter se referido ao presidente da república como “genocida”. Defendo que nem ao presidente, nem a qualquer outro brasileiro, pode ser atribuída expressão com caráter difamatório ou injurioso. Uma coisa tenho que concordar com o governador quando disse ser contra o desrespeito às mulheres. Certamente ele também saiu em defesa das mulheres médicas que foram desrespeitadas e maltratadas pelo seu pai na CPI da COVID”, disse.

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