Coronavírus na China provoca nove mortes e já tem 400 casos

O coronavírus surgido na China e já registrado em vários outros países provocou a morte de nove pessoas e infectou cerca de 400, revela nesta quarta-feira o último boletim das autoridades de saúde chinesas.

A vice-ministra da Comissão Nacional de Saúde, Li Bin, alertou que o coronavírus pode sofrer mutação e se propagar mais rapidamente.

A comissão anunciou medidas para conter a doença diante da viagem de milhões de pessoas, por todo o país, para o feriadão do Ano Novo Lunar, esta semana.

Entre as medidas estão a desinfecção e a ventilação de aeroportos, estações de trem e shoppings.

“Quando for necessário, os controles de temperatura também serão adotados em áreas-chaves e locais muito frequentados”, informou a comissão.

O coronavírus, da mesma família do vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, sigla em inglês), já foi identificado na Tailândia, Japão e Coreia do Sul, assim como em várias cidades chinesas.

Na terça-feira, os Estados Unidos confirmaram o primeiro caso no país, um homem que chegou a Seattle no dia 15 de janeiro, procedente da China.

O principal foco da doença é a cidade chinesa de Wuhan, onde as autoridades intensificaram os controles de febre no aeroporto, estações de trem e estradas.

Em Wuhan, foi cancelado um importante evento do Ano Novo Lunar, que a cada ano atrai milhares de pessoas.

– Alerta máximo –

Vários países da Ásia e do Pacífico reforçaram na terça-feira os controles para localizar e isolar passageiros infectados por o novo coronavírus.

Os controles envolvem voos diretos ou indiretos procedentes de Wuhan, colocando em prática ações utilizadas em 2002 e 2003 durante a epidemia da SARS.

Os Estados Unidos estabeleceram controles na sexta-feira em três de seus grandes aeroportos (Nova York JFK, San Francisco e Los Angeles), e tem previsto estendê-los esta semana a Chicago e Atlanta, anunciaram as autoridades.

Todos os passageiros que viajarem de Wuhan em voos diretos terão que chegar aos Estados Unidos nestes aeroportos, segundo as autoridades sanitárias americanas.

Autoridades de saúde dos EUA anunciaram que um homem de 30 anos foi hospitalizado em Everett, perto de Seattle, tornando-se o primeiro caso no país.

O homem desembarcou no aeroporto de Seattle, vindo em voo direto de Wuhan, em 15 de janeiro. Não tinha sintomas ao chegar, mas entrou em contato com os serviços de saúde no domingo, após o aparecimento dos primeiros sintomas.

As autoridades tailandesas instalaram sensores térmicos para detectar passageiros com febre nas áreas de risco chinesas nos aeroportos de Bangkok, Chiang Mai, Phuket e Krabi.

A vigilância sanitária também foi reforçada em aeroportos na Austrália, Bangladesh, Nepal, Cingapura, Malásia, Vietnã, Índia e Estados Unidos.

A Tailândia recebe um quarto dos voos internacionais de Wuhan, uma cidade de 11 milhões de habitantes.

Em Hong Kong, as autoridades também estão em “alerta máximo”, pois os efeitos trágicos da epidemia de Sars entre 2002 e 2003, período em que morreram centenas de pessoas, ainda estão muito presentes.

No aeroporto da cidade, um dos mais visitados do mundo, já está sendo aplicado o controle térmico de todos os passageiros. Quem chega de Wuhan deve preencher um formulário sobre seu estado de saúde. Caso minta, pode ser condenado a até 6 meses de prisão.

As enormes fronteiras terrestres da China também estão sujeitas a controles minuciosos.

No Vietnã, o Ministério da Saúde proclamou “alto risco de infecção” e ordenou o reforço nos controles na fronteira norte, um local de intensa circulação entre os dois países.

Wang Guangfa, um dos médicos da Comissão Nacional de Saúde da China que estuda a epidemia, disse na terça-feira a uma emissora de televisão de Hong Kong que havia contraído a doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) se reunirá nesta quarta-feira para determinar se é necessário declarar “emergência de saúde pública de alcance internacional”.

– Isolamento e quarentena –

Zhong Nanshan, renomado cientista da Comissão Nacional de Saúde chinesa, anunciou na segunda-feira que a transmissão pode ocorrer por contágio entre seres humanos, reconhecendo essa informação pela primeira vez publicamente.

Já a OMS considera que a “primeira fonte mais plausível” de infecção parece ser o animal, com “transmissão limitada entre humanos por contato próximo”.

De acordo com a organização, entre 2002 e 2003 foi registrado um total de 8.096 casos de SARS, dos quais 774 fatais, sendo que 349 mortes foram registradas na China continental e 299 em Hong Kong.

Na época, a organização internacional criticou as autoridades chinesas por demorarem demais para dar o alerta e tentar esconder a extensão da epidemia.

22/01/2020