Com aumento da violência, motoristas pedem desligamento de radares


No momento em que os índices de violência voltaram a crescer e o clima de insegurança é geral, os motoristas declararam guerra aos radares eletrônicos — principalmente aos que multam por excesso de velocidade durante a madrugada. Uma das maiores vias da capital, a Avenida das Américas, na Zona Oeste, por exemplo, conta com 148 medidores fixos de velocidade, todos ligados 24 horas. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio), a cidade toda tem 807 aparelhos.

Segundo a companhia, 13% (128.144) das multas registradas por fiscalização eletrônica, de janeiro a junho deste ano, foram a infrações cometidas de meia-noite às 6h, atesta o Extra.

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— Fui multado por passar a 59km/h na Rua Clarimundo de Melo, na altura do Morro da Saçu, em Quintino, às 3h. Recorri alegando que o local é muito perigoso, mas não consegui convencer. Eu já fui assaltado por um motoqueiro no mesmo ponto, às 11h. Esse pardal só dá segurança a quem pratica o roubo na região. O policiamento é fraquíssimo. Depois disso, aboli essa história de voltar para casa depois das 23h. Não dá mais — desabafou o jornalista Nelson Ricardo Sanches, de 53 anos.

Após receber reclamações semelhantes na Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio, o deputado e vice-presidente do colegiado, Dionísio Lins (PP), conseguiu aprovar uma lei que obriga o desligamento dos pardais que estejam em áreas de risco. O texto já foi sancionado pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

— O problema não é só da madrugada, temos que tirar os radares em caráter definitivo das áreas de risco. É justo ter pardal na Maré? Na Rua Goiás, em Quintino? Virou uma indústria de multas às custas da segurança da população — afirma o deputado.

Ele encaminhou a lista dos radares ao Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP) para que o órgão faça um estudo dos pontos mais perigosos. Ainda não há um prazo para a conclusão do trabalho. A CET-Rio não quis comentar o assunto.

Desligamento da fiscalização é polêmico

O desligamento de radares em áreas de risco divide opiniões. O engenheiro de trânsito Alexandre Rojas, professor da Universidade do Estado do Rio (Uerj), afirma que a fiscalização, à noite, tem mais aspectos negativos.

— Se o radar coloca uma vida em risco, ele está em desacordo com os princípios do código de trânsito. À noite, ele costuma ser mais prejudicial do que benéfico. Não acho que a retirada deles vai aumentar o número de acidentes — diz.

Já para Fernando Pedrosa, da ONG Trânsito Amigo e ex-coordenador do Programa de Redução de Acidentes no Trânsito, do Ministério dos Transportes, a solução é aumentar o policiamento:

— O que vale mais: a vida do motorista que pode ser assaltado ou a do pedestre que pode ser atropelado? O controle de velocidade é questão de segurança no trânsito, assalto é questão de polícia. Uma não pode ter preferência sobre a outra.

Excesso de velocidade é maior infração

No estado do Rio, foram registradas 190.373 multas de madrugada, de janeiro a maio de 2017, segundo o Departamento de Trânsito do Estado do Rio (Detran). O número representa quase 10% do total, de 1.964.113 infrações. Na maioria do casos, os motoristas foram punidos por transitar com velocidade superior à máxima em até 20%.

— Às vezes, o limite é de 50km/h numa via que comporta 80km/h. A cobrança à noite não deveria ser a mesma feita de dia — afirma Rojas.

16/07/2017